Este é um espaço mantido pelo Centro Espírita Caminho da Paz dedicado para a divulgação do Espiritismo. O CECAPAZ se localiza na cidade de São João del Rei e vem realizando um trabalho há 23 anos de divulgação e trabalho dentro dos preceitos da Doutrina Espírita. Seja bem-vindo!
Em destaque:
Evangelização Infantil - Toda Segunda-feira às 19h30m.
A Juventude Espírita Maria de Nazaré - Todo sábado de 17h às 18h30m.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Alcíone e a Obra Emmanuelina “Renúncia”: A Liberdade é total para o Amor”
O
livre-arbítrio é alicerce da Lei de Deus. E todos os caminhos consagrados ao
bem são igualmente abençoados pela Providência Divina. Desta forma, todos os nossos
esforços efetivos na procura e na construção do bem são inspirados por nossos mentores
espirituais. Todas iniciativas são bem-vindas, pois caracterizam facetas da Lei
Geral que é o Bem.
Assim sendo,
mesmo quando os nossos mentores espirituais não acham o nosso projeto no bem o
mais adequado para determinado contexto, eles consideram a possibilidade,
respeitando o nosso livre-arbítrio e a nossa iniciativa de buscar tarefas
positivas para nós mesmos e para nossos irmãos.
O bom senso
deve sempre guiar tais iniciativas para que não nos percamos em projetos
inapropriados. De qualquer maneira, se estamos focados no bem, nossos amigos
terão paciência, amor e consideração por nossas idealizações.
Isso ocorreu
na obra de Emmanuel “Renúncia”. Logo nas primeiras páginas percebemos os
mentores tentando dissuadir, embora respeitosamente, o nobre Espírito de
Alcíone de suas intenções focadas em uma possível reencarnação por amor a um
grupo de Espíritos familiares. Consideravam o risco da empreitada e também o
fato de, pessoalmente, Alcíone não necessitar de nova experiência daquele tipo.
Todavia, prevaleceu a intenção de Alcíone e ela reencarnou por “renúncia” e,
apesar de todos os perigos, alcançou grande vitória espiritual.
Obviamente,
assumir riscos para fazer o bem, contra o opinião de mentores espirituais,
constitui atitude que requer muita segurança pessoal, e não deve ser tida
necessariamente como regra de conduta. O ideal seria tentar conciliar, na
medida do possível, o orientação dos Espíritos mais experientes com nossos
projetos no bem, mesmo admitindo, conforme ocorreu com Alcíone, a possibilidade
de exceções serem bem-sucedidas.
Que nós
tenhamos o bem sempre por base de tudo o que fazemos, desde nossas intenções
mais profundas até a constituição dos projetos propriamente ditos. Assim, as
tarefas por nós elaboradas serão equilibradas entre o bom senso e o amor. Como
disse Jesus: “É necessário a pureza das pombas e a perspicácia das serpentes”.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Feitiçaria
A
feitiçaria, também conhecida como magia, está associada à paranormalidade,
abrangendo tanto fenômenos anímicos como mediúnicos. Com frequência, os
processos ditos “mágicos” abrangem desde a curiosidade menos útil, passando por
objetivos individualistas que gravitam principalmente em torno de questões
cotidianas da vida material, tais como obtenção de dinheiro, conquistas
amorosas, aquisição de bens materiais, curas de doenças, entre outros, chegando
mesmo a atingir, em alguns casos, objetivos claramente maliciosos, focalizados
no prejuízo de outras pessoas através de diversos mecanismos e com vários
diferentes escopos. Neste caso, estaríamos tratando da chamada “Magia Negra”.
Importante
registar que assim como acontece com o mau olhado, a Feitiçaria envolve muitas
crendices populares, sendo que algumas têm fundo de verdade e outras não,
aumentando a confusão em torno do tema.
De qualquer maneira, o mau olhado normalmente ocorre sem que o seu
emissor saiba de seu poder desequilibrante, enquanto que a feitiçaria já seria
algo provocado conscientemente, muito embora com alguma cota de superstição
associada ao procedimento.
Considerando
que os objetivos muitas vezes são frívolos ou até maldosos (além de utilizarem
frequentemente de recursos materiais totalmente descartáveis), os Espíritos que
eventualmente poderiam estar associados ao processo, isto é, os “parceiros
espirituais” de tais iniciativas, não podem ser muito evoluídos
espiritualmente.
Os
ditos “trabalhos” de feitiçaria ou “macumbas” (principalmente aqueles
direcionados a prejudicar outrem), entre outros nomes, conectam o evocador e/ou
o indivíduo que solicitou o trabalho aos Espíritos maldosos e/ou zombeteiros
que se interessam por tais práticas. Obviamente, tais “pactos” constituem
associações para o desenvolvimento de obsessões, o que torna tanto o evocador
como o interessado na evocação (admitindo que não se trate do mesmo indivíduo)
Espíritos obsessores. Portanto, independentemente do fato da ação atingir ou
não o seu objetivo, a intenção e a ação inicial propriamente dita já terão sido
feitas, criando, obviamente, compromissos espirituais negativos graves para os
seus causadores.
No
que se refere ao alvo do processo, ele poderá ser ou não atingido de forma significativa,
dependendo de sua vida moral. Logo, os mesmos cuidados gerais que devemos ter
para nos proteger de obsessões oriundas exclusivamente de desencarnados são
aconselháveis para nos proteger dos chamados “trabalhos”, pois esses últimos
não deixam de constituir eventos de vinculação mental, emocional e espiritual
para execução de atitudes antiéticas a terceiros.
O
processo propriamente dito de constituição do “pacto” normalmente envolve
alguma “oferenda” para agradar aos parceiros desencarnados. Tais Espíritos são
ainda muito apegados à matéria, o que faz com que, por consequência, sentem
saudade de alimentos materiais, com alta cota de fluido vital, tais como frutos
e alimentos de origem animal. Assim, alguns costumam até mesmo a matar galinhas
ou outros pequenos animais no ato de “constituição do pacto” para que o fluido
vital eliminado no momento da morte possa ser haurido pelos Espíritos
vampirizadores. O próprio mentor André Luiz comenta sobre fato semelhante em
“Missionários da Luz”, quando uma falange de vampirizadores levam um Espírito
suicida para um matadouro para poderem vampirizar tanto os fluidos vitais exteriorizados
pelo suicida como aqueles eliminados pelos animais abatidos.
Importante
registrar que o vínculo espiritual com a falange de Espíritos obsessores pode
ser mantido até a desencarnação dos encarnados envolvidos e, neste caso,
dificilmente o usuário da magia, sobretudo da “magia negra”, vai se desvincular
deles em um curto espaço de tempo. Além disso, o fato de se vincular a um grupo
obsessor, tornando-se igualmente um obsessor, também torna o obsessor um
obsediado, em função do clima espiritual em que passará a viver junto de seus
comparsas espirituais.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Mau Olhado
O
homem encarnado apresenta uma estrutura tríplice: Espírito; Corpo intermediário
semi-material; e Corpo Físico. Entretanto, o corpo intermediário semi-material
(que age como interface entre Espírito e Corpo físico), o qual é representado
basicamente pelo Perispírito, a rigor não é formada apenas pelo Perispírito
propriamente dito, mas, também pelo Corpo vital, também conhecido como Duplo
Etérico, que é constituído fundamentalmente por fluido vital.
Esse
binômio Perispírito-Duplo Etérico constitui a base fundamental para a
ocorrência dos chamados “fenômenos paranormais”, os quais abrangem tanto os
fenômenos anímicos como os fenômenos mediúnicos. Os fenômenos anímicos são
aqueles em que fundamentalmente prevalece a ação da própria “alma” (vale
lembrar que na definição da Codificação Kardequiana, alma é o Espírito
encarnado) do paranormal ao contrário dos fenômenos mediúnicos, nos quais o
encarnado é o “filtro” (ou “telefone”), pelo qual o Espírito densencarnado age,
ou seja, transmite sua ação.
Dentre
os fenômenos anímicos, a ação magnética do encarnado através da exteriorização
de fluidos vitais consiste em um dos mais relevantes fenômenos. Assim como
fluidos vitais de pessoas moralmente elevadas têm ação equilibrante, confortadora
e curadora, a emissão de fluidos vitais de indivíduos moralmente inferiores
tende a ser desequilibrante e prejudicial às saúdes mental, perispiritual e
física. Tais fenômenos, inerentes a todo ser humano, podem ser muito intensos
em indivíduos que tenham maior facilidade na emissão fluídica (liberação
ectoplásmica), conhecidos como “magnetizadores”.
Desta
forma, os magnetizadores moralizados podem contribuir muito para a saúde dos
nossos irmãos através do “Passe Espírita” assim como aqueles não moralizados
podem prejudicar muito a saúde dos outros através da exteriorização de seus
fluidos de baixo padrão vibratório, algo que é conhecido vulgarmente como “mau
olhado”, entre outros nomes.
Entretanto,
ambos os processos supracitados dependem basicamente da afinidade espiritual,
ou seja, da sintonia que poderia haver entre o receptor da emissão (“alvo da
emissão”) e o emissor do fluido vital. Alta sintonia representa grande
transmissão e baixa sintonia significa baixa transmissão fluídica, tanto para os
fluidos oriundos de seres elevados espiritualmente como para os fluidos
originados de seres inferiores do ponto de vista espiritual.
O
foco, a atenção, o interesse, a curiosidade, a inveja e o ciúme, entre outras,
são atitudes mento-emocionais que concentram, desencadeiam e atraem a emissão
do fluido vital. Quando o indivíduo tem o dom da emissão em níveis maiores,
sendo, portanto, um magnetizador, ele pode realmente impactar negativamente
outros seres vivos suscetíveis, o que inclui animais e vegetais, pois ambos os
grupos aproveitam grande estrutura de fluido vital. Ocorreria, dessa forma, uma
transfusão fluídica, independentemente da qualidade dos fluidos em questão.
A
elevação de pensamentos, sentimentos, objetivos, intenções e ações representa o
“Olhai, vigiai e orai” de Jesus, e, neste caso, a imunização para que a
sintonia com os magnetizadores desequilibrados não ocorra. Como temos
dificuldades em manter tais valores elevados, necessitamos desenvolver uma
disciplina para manutenção desses estados em prol de nossa saúde
físico-espiritual. Desta forma, evitaremos ser impactados por magnetizadores
desequilibrados assim como evitaremos ser os próprios magnetizadores desequilibrados
para outrem, se a nossa exteriorização fluídica for também substancial.
Vale
comentar sobre um aspecto muito sério em relação a essa questão, que diz
respeito ao medo. Como o assunto está envolto em grande nível de superstição,
conceitos errados e corretos se misturam, fazendo com que muitos indivíduos
tenham um medo acentuado do mau olhado, enquanto outros considerem o fenômeno
impossível de ocorrer e, por consequência, apresentam total destemor em relação
à possibilidade de serem atingidos. O medo excessivo contra o mau olhado não
deixa de constituir brecha espiritual para que o impacto negativo ocorra, uma
vez que o medo é atitude auto-obsessiva profundamente perturbadora. Por outro
lado, a excessiva confiança de que o “mau olhado nunca acontecerá comigo” é
algo que diminui a auto-vigilância. O ideal seria conhecer a possibilidade de
ocorrência e, de forma pró-ativa, tomar as medidas preventivas para que não
sejamos atingidos pelo mau olhado. De fato, o impacto do “mau olhado” pode ser
fator gerador de outros processos perniciosos, tais como a depressão e a
instalação de processos obsessivos. Assim, dependendo de outros fatores
espirituais, um prejuízo relativamente pequeno poderia desencadear outras
problemáticas de forma crescente, implicando em graves processos espirituais.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Evolução Individual e Evolução Coletiva: Analisando as chamadas “fases de viradas espirituais”
O Espírito é
imortal e jamais regride espiritualmente, podendo apenas estacionar
evolutivamente por um período mais ou menos longo, a depender do apego à
matéria, do comodismo evolutivo, da ausência de auto-conhecimento, entre outras
limitações do educando em questão.
Podemos
inferir, portanto, que, com significativas exceções, que são os Espíritos que
permanecem basicamente estacionados, ao avaliarmos a evolução espiritual de
indivíduos dentro de um espaço de tempo relativamente grande, a tendência é que
um razoável número de Espíritos tenham avançado de forma significativa. O quão
representativo seria esse avanço é muito variável, pois depende do esforço
individual, isto é, da aplicação de todas as potencialidades inerentes ao
Espírito nesse objetivo previamente estabelecido por meio do uso do
livre-arbítrio.
A
discussão proposta acima diz respeito, obviamente, ao mecanismo de cada evolução
individual, que já consiste em processo altamente complexo, considerando os
diferentes focos de evolução que a personalidade é desafiada a atingir em cada
encarnação. Por outro lado, quando analisamos a evolução de uma coletividade, a
questão torna-se ainda mais complexa, pois “a cada um é dado conforme suas
obras” e ninguém consegue impor ao outro os seus próprios valores e diretrizes
de comportamento, pois o livre-arbítrio é base da Lei de Deus. Considerando
coletividades volumosas, como a população da Terra com um todo, a questão
assume complexidades elevadas, em termos de previsão de processo evolução, o
qual depende da decisão individual de cada Espírito.
De
qualquer maneira, pelo andamento dos grupos sociais, é possível a elaboração de
uma avaliação da tendência de evolução moral geral das coletividades através de
estudos sobre suas leis, usos, costumes e valores assim como o ritmo de
evolução dos mesmos.
Desta
forma, somos cobrados pela própria consciência pela nossa evolução individual
propriamente dita bem como pela nossa contribuição para com a evolução dos
grupos dos quais fazemos parte.
Assim
sendo, como Espíritas sabemos que o mundo vai melhorar a partir da nossa
melhoria individual e do nosso esforço ativo para contribuir direta e indiretamente
para o surgimento de oportunidades evolutivas para nossos irmãos, através do
que chamamos “amor dinâmico”, isto é, “amor em ação”, conforme definição de
nosso confrade José Raul Teixeira.
Apesar
de ser válida a avaliação do andamento das coletividades rumo ao crescimento
espiritual, até porque nossa programação reencarnatória inclui trabalhos em
parceria com nossos irmãos, observamos, frequentemente, questões, até certo
ponto, “excêntricas” que retornam à preocupação dos Espíritas, tais como “datas
de mudança” ou “fases de viradas espirituais”.
Uma
certa preocupação com o andamento da evolução de uma coletividade é
compreensível e até recomendável, mas exagerar essa preocupação na expectativa
por um “ano específico de virada espiritual”, além de contraproducente, pois a
evolução parte da nossa transformação individual e das decisões da Providência
divina, não é algo com grande respaldo doutrinário, porque tais previsões estão
sujeitas a modificações, em função das ações de cada um de nós. Além disso,
quando exagerada, esse foco denota imaturidade espiritual, porque de uma forma
ou de outra, sempre recebemos aquilo que plantamos, pela Lei de Causa e Efeito,
e, além disso, Deus é amor e misericórdia, nos proporcionando o melhor dentro
de nossas possibilidades de evolução. Assim sendo, se estamos realmente
preocupados com a evolução espiritual da coletividade, maior cota de esforço
individual devemos dedicar tanto no que se refere à nossa própria elevação,
como em relação à elevação dos grupos que estamos associados. E Deus que é
“soberanamente justo e bom” saberá nos proporcionar oportunidades evolutivas
ótimas, de acordo com o nosso esforço e aproveitamento no campo do bem.
Leonardo Marmo Moreira
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Liberdade de votar, de ser votado e de não ser votado: “Dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus”
Uma das
questões que frequentemente surgem dentro do Movimento Espírita (como também
dentro dos movimentos religiosos em geral) diz respeito à atuação
político-social que o Espírita militante deve apresentar. Divaldo Pereira
Franco comenta sobre isso: “O Espírita militante tem o direito de votar e de
ser votado, assim como tem o direito de não querer participar de cargos
políticos de uma forma direta, eletiva ou não”.
A linha
diretriz básica da Doutrina Espírita, que remete ao próprio Evangelho de Jesus,
é que educando o homem de uma forma integral, estaremos melhorando a sociedade
nas suas bases e, lenta e gradualmente, isso melhorará todas as instituições
representativas dessa mesma sociedade. Por essa razão, o Movimento Espirita não
costuma levantar bandeiras políticas, lutando por instituições passageiras e da
sociedade civil, em concordância com o procedimento do próprio Mestre Jesus. Educando
o indivíduo, ele terá mais discernimento e mais valores morais para escolher e
atuar em todos os níveis da sociedade.
Por outro
lado, individualmente, cada ser pode e deve ser ativo socialmente, o que não
significa necessariamente querer ter cargos políticos, pois existem,
obviamente, várias formas de se contribuir para a melhoria da sociedade além da
atuação política propriamente dita. De qualquer maneira, o Espírita militante
pode, se assim o desejar, escolher “ter cargos políticos”, tal como ocorreu com
o Doutor Bezerra de Menezes e com Freitas Nobre. Tal escolha é de foro íntimo e
totalmente livre do ponto de vista doutrinário, em que pese que o Espírita
consciente deverá buscar uma elevada atuação ético-moral em todas as suas
atitudes nas vidas física e espiritual. Portanto, as escolhas devem ser
bastante refletidas, pois necessitamos contribuir para a evolução da sociedade
do ponto de vista espiritual em todas as nossas atuações.
Em que
segmento da sociedade darei uma contribuição mais efetiva à melhoria da vida
das pessoas, aumentando minha cota de paz íntima, limpeza de consciência e
valores espirituais? Essa questão deve estar no foco de toda reflexão de
Espíritas militantes, quando tomem decisões de assumir qualquer compromisso
para com a sociedade, seja de teor político-administrativo ou não.
Assim, dentro
da proposta de “Dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus” é
necessário um elevado auto-conhecimento para sabermos que tipo de compromisso
desejamos para nós mesmos. Isso é fundamental para que desenvolvamos
razoavelmente bem essas duas tarefas fundamentais (“Dar a César” e “Dar a
Deus”), sem cairmos, voluntariamente, em situações espirituais complexas, nas
quais sentiremos dificuldade para administrá-las com elevado nível de
espiritualidade.
Além disso,
temos que ter em mente que todos nós trazemos para a Crosta terrestre
compromissos espirituais específicos e pessoais. Comumente, entretanto, ao
chegarmos à encarnação, tentamos fugir de nossos compromissos, assumindo outras
propostas que não são as mais interessantes para a nossa evolução espiritual. É
claro que isso nos é permitido, pois o livre-arbítrio é base da Lei de Deus e,
ademais, uma mudança de rumo não necessariamente significa um desastre do ponto
de vista espiritual, em que pese que nem sempre poderia ser o mais
aconselhável. Nesse contexto, faz-se pertinente uma avaliação das
potencialidades pessoais, intenções, objetivos e implicações pessoais,
familiares e sociais para saber se nos convém tal escolha, pois, como diz o
Apóstolo Paulo: “Tudo me é lícito, nem tudo me convém”. De fato, toda escolha
de um gênero de tarefas, sobretudo daquelas mais absorventes e desgastantes,
implica em ter menos tempo e disponibilidade para outros gêneros de atividade.
Cabe tentar escolher com sabedoria as que seriam mais interessantes para nós.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Sobre a chamada “Ressurreição de Jesus“
A
questão da chamada “ressurreição de Jesus” sugere algumas observações para a
nossa reflexão em comum.
1)
Para começar, Jesus-Espírito jamais morreu, já
que, como todos os Espíritos criados por Deus é, foi, e sempre será imortal.
2)
Na cruz, seu corpo de carne faleceu, o que
gerou, consequentemente, a desencarnação de Jesus-Espírito, ou seja, a
separação definitiva entre o Espirito do Mestre e a instrumentação fisiológica
que ele utilizou no século I.
3)
Ressurreição significa ressurgimento, e foi
exatamente isso que aconteceu: Jesus ressurgiu após a morte de seu corpo
físico. Esse ressurgimento, que comprova a imortalidade da alma (não somente a
de Jesus, mas de todos nós), ocorreu através de seu perispírito, o qual dependendo
da passagem podia estar em diferentes níveis de materialização ou até não
materializado, o que seria, neste último caso, uma vidência.
4)
As aparições de Jesus caracterizam-se por serem
significativamente diferentes umas das outras. Com Madalena, ele pede que ela
não o toque, pois provavelmente não estava totalmente materializado (poderia
ser uma vidência (visão psíquica) ou uma materialização incompleta). Por outro
lado, com Tome, ele faz questão que ele tocasse em suas chagas para que o referido
Apostolo dirimisse suas dúvidas; isso ocorre porque, neste caso, o Mestre
estava totalmente materializado. Portanto, as aparições de Jesus claramente
envolvem processos distintos de identificação.
5)
Se o corpo de Jesus desapareceu, temos várias
hipóteses que podem explicar tal fenômeno. De qualquer forma, esse fenômeno não
tem relação com as aparições do Mestre, que foram totalmente baseadas nas
propriedades do períspirito. Tentou-se forcar tal relação para viabilizar o
dogma da ressurreição da carne, o que e claramente uma proposta irracional.
6)
Jesus dissera “Deus faz cair a chuva sobre bons
e maus e nascer o sol sobre justos e injustos“, denotando que a Lei e a mesma
para todos e que os processos envolvidos na encarnação são os mesmos para
todos.
7)
A mensagem fundamental da ressurreição e
basicamente a imortalidade da alma, ou seja, a vida definitiva do Espirito. Tal
mensagem e fundamental pois proporciona uma perspectiva totalmente diferente do
significado da vida.
8)
“A vida continua“ e continuará sempre,
ininterruptamente, sendo que o bem que plantarmos, colheremos, e os erros que
cometermos serão pesos limitando a nossa liberdade e a realização de venturosas
missões.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Palestras, Grupos de Estudo e Entrevistas
No
passado, os centros espíritas apresentavam uma predominância de trabalhos de
palestras no setor de estudo doutrinário das casas. Nas últimas décadas, houve
um crescimento do trabalho de grupos de estudo, incluindo aí os trabalhos de
mocidades espíritas, que, com as suas naturais peculiaridades, assemelham-se
aos trabalhos de grupos de estudo para adultos.
Atualmente,
os centros espíritas têm apresentado uma espécie de parceria para o aprofundamento
doutrinário entre o trabalho dos expositores através de palestras e os estudos
de grupos, seguindo livros pré-determinados ou não. De fato, os grupos podem
escolher temas específicos ou autores específicos. Portanto, pode haver grupos
que estudam mediunidade; grupos que estudam exclusivamente obsessão; outros que
estudam reencarnação; entre outros
assuntos. Por outro lado, há grupos que se dedicam a estudar as obras de um
autor específico, tais como Allan Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne, Herculano
Pires etc.
Naturalmente,
há indivíduos que preferem assistir palestras, e não têm predileção pela
participação em um grupo de estudo. Há, igualmente, um bom número de espíritas
que gostam dos grupos de estudo, mas não têm grande afinidade pelas exposições
orais mais longas.
As duas
metodologias seguem propostas diferentes. Na palestra, o orador tem um espaço
maior para discorrer individualmente e sem interrupções, o que dá margem para a
elaboração de um apanhado maior sobre um determinado tema. Idealmente, o
palestrante deveria ter uma razoável bagagem para contribuir com as reflexões
dos frequentadores, fornecendo-lhes material para leituras e estudos
posteriores, pessoais ou coletivos. Uma vantagem interessante da palestra é o
fato de poder atingir um número maior de pessoas do que o grupo de estudos.
Além disso, muitas vezes o expositor precisa de um tempo maior para fornecer um
conjunto de informações significativos sobre determinado assunto.
O grupo
de estudo normalmente apresenta uma espaço maior, mais “democrático”, para o
debate de ideias, dependendo, obviamente, das características e da filosofia de
trabalho de cada grupo. De qualquer maneira, normalmente a interação entre os
participantes é maior, o que dá margem para que uma ampla troca de ideias
ocorra, em uma espécie de conversa educativa. Neste caso, é importante que o
grupo não se perca em discussões improfícuas e, nesse contexto, uma alternativa
interessante é a presença de um livro ou apostila de excelente qualidade
doutrinária que seja o guia teórico-conceitual das discussões, para que o
conteúdo, que consiste do material de estudo, forneça, realmente, substanciais
informações para os estudantes. Apesar de normalmente atingir um grupo menor do
que o grupo que assiste a palestras, permite um aprofundamento e um processo de
eliminação de dúvidas que é menos acessível às palestras. Além disso, muitos
espíritas que têm dificuldades para ler determinada obra sozinhos (e em casa)
podem conseguir ler e estudar toda a obra de interesse através do grupo de
estudo, o que permite, inclusive um ganho significativo de tempo, pois podem
ler outra obra mais acessível a esse respectivo leitor individualmente.
Entretanto, grupos de estudo excessivamente herméticos e isolados em si mesmos
podem ficar muito formatados a uma única linha de raciocínio, usualmente a do
coordenador do grupo (em alguns casos, o “formador de opinião” ou “os
formadores de opinião” podem não ser coordenadores formais do grupo). Isso não
necessariamente é ruim, porém é recomendável que o conteúdo que é estudado em
um grupo de estudo seja testado, em termos de qualidade doutrinária, por outras
fontes de informação espírita, a fim de melhorarmos o nível doutrinário geral
de nosso movimento, e evitarmos eventuais distorções de determinados núcleos, o
que acontece com certa frequência.
Há ainda uma
espécie de meio-termo entre as duas metodologias supracitadas, que seria a
entrevista, também chamada “fórum de debates” ou “Pinga-Fogo”, em homenagem à
Chico Xavier e sua extraordinária participação no famoso programa denominado
“Pinga-Fogo” da antiga TV Tupi, em 1971. Na entrevista, uma séria de perguntas
pertinentes, em uma sequência lógica ou elaboradas de forma aleatória, poderia
ser proposta para “sabatinar” um confrade que tenha bagagem para comentar sobre
um determinado assunto de relevância doutrinária. Neste caso, a qualidade das
perguntas e das respostas pode ser muito útil para dirimir dúvidas que,
eventualmente, não sejam abordadas nas palestras, nas quais o espaço para esse
tipo de debate, normalmente, é bem limitado.
Apesar das
eventuais e naturais preferências pessoais em termos de reunião doutrinária,
temos que admitir que a parceria entre palestras e grupos de estudos e, se for
o caso, também entrevistas (“Pinga-Fogos”), é bastante rica, complementar e
sinérgica para o enriquecimento de nossas atividades doutrinárias nas casas
espíritas e também nos eventos espíritas como encontros e congressos. São
formas metodológicas de divulgação espírita acessíveis a todas as casas
espíritas e cuja parceria, preferencialmente através de diferentes
doutrinadores, podem enriquecer a todos os envolvidos, inclusive os próprios
expositores e coordenadores de grupo.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 9 de abril de 2014
150 Anos de “O Evangelho Segundo O Espiritismo”
No
ano em que completamos 150 anos da publicação de “O Evangelho Segundo O
Espiritismo” (E.S.E) somos induzidos a fazer algumas reflexões a respeito da
implantação do Reino dos Céus na Terra:
1) Considerando que temos aproximadamente 2000 anos
de Evangelho na Terra, temos que admitir que 150 anos de E.S.E. é muito pouco
tempo para que uma drástica transformação ocorra na sociedade terrena, a partir
do estudo do Evangelho à luz do Conhecimento Espírita. De fato, mesmo para os
Espíritas militantes que se tornaram “adeptos da primeira hora”, 150 anos ainda
é um tempo demasiadamente pequeno para uma transformação íntima gigantesca,
apesar de ser viável uma transformação minimamente significativa;
2)
Desta forma, lembrando o benfeitor Emmanuel “a
maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação”,
para que o Espiritismo chegue ao maior número de pessoas possível, através de
uma divulgação digna àqueles que se mostrem interessados em aprender sobre a
Doutrina;
3)
Apesar do Evangelho à luz do Espiritismo ser
jovem, do ponto de vista histórico, já identificamos grandes gestos de bondade
e muitas vidas transformadas pela sua inspiração. O avanço do Movimento
Espírita no mundo desde os tempos kardequianos é uma conquista inegável;
4)
O número e a intensidade de ataques a que o
Espiritismo foi submetido, seja do meio religioso, seja do meio científico,
seja a partir do ambiente de interesse filosófico demonstra inequivocamente “a
força das ideias” difundidas pelo Espiritismo e o seu potencial de crescimento
para o presente e para o futuro;
5)
O preconceito a que o Espiritismo esteve sujeito
nesses 150 anos demonstra inequivocamente o respeito e a gratidão que devemos
nutrir pelos confrades que nos antecederam neste trabalho admirável de
divulgação doutrinária;
6)
A relevância da Divulgação do Espiritismo, com
especial destaque para “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, é de tão alta
hierarquia espiritual, que devemos nos dedicar mais e melhor a esse ideal,
apesar dos problemas naturais que todo movimento humano inevitavelmente tem de
enfrentar;
7)
Jesus, permanece atual, e suas mensagens, cada
vez mais, demonstram a profundidade do pensamento do Mestre, pois, considerando
a Evolução ininterrupta do Espírito imortal, nunca estivemos tão preparados
para entender, assimilar e praticar as chamadas “Palavras de Vida Eterna”;
8)
Jesus, como governador da Terra, conta com a
nossa colaboração, mínima que seja, para a implantação do “Reino dos Céus na
terra” e para isso, cabe-nos a escolha, através do uso do nosso livre-arbítiro
e cabe-nos a dedicação para que essa escolha superior consiga permanecer
constante durante o passar dos anos;
9)
A rapidez com que a vida física passa é um
eterno alerta para os nossos corações, de maneira que não devemos perder tempo
com questões menos relevantes e tentar aproveitar nossas horas em atividades
úteis para o Bem;
10)
Jesus proporciona a todos nós esclarecimento e
consolação, porque Deus é amor, e o Mestre Nazareno, como extraordinário
professor, traz para nós, de uma forma perfeitamente assimilável, a essência
das Leis Divinas do Amor;
11)
Kardec, o Mestre lionês, decodifica a essência
do Evangelho de Jesus, para que mais próximos de Jesus, estejamos também mais
próximos de Deus, nossos Pai;
12)
Como Espíritas militantes, não podemos olvidar
da beleza e profundidade do conteúdo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
estudando sempre essa obra colossal, a fim de não perdermos as diretrizes de
segurança para a nossa Evolução e para as tarefas de nossa reencarnação,
através da orientação segura de Jesus através de Allan Kardec.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Reencarnação não é castigo!
O
Espírito não reencarna para ser punido, mas para evoluir. Portanto, a
reencarnação não é castigo de Deus. Pelo contrário, consiste em um conjunto de
novas oportunidades para o Espírito recomeçar com maior cota de experiências
vivenciais, mais avanços intelectuais acumulados e maior nível de discernimento
moral amealhado.
Desta forma,
cada um de nós que esteja aproveitando de maneira minimamente digna sua
presente encarnação, tenderá a ter oportunidades de crescimento espiritual
acentuadas tanto no mundo espiritual, após nossa desencarnação, como na vida
física futura. De fato, a própria “Parábola dos Talentos” já nos sugere isso.
Assim sendo,
se eu aceito com resignação as colheitas do passado, que podem ser positivas ou
negativas, dependendo do que eu haja plantado, procurando extrair das
experiências maturidade, inteligência emocional e maiores níveis de equilíbrio
espiritual, eu estou crescendo espiritualmente e encontrando equilíbrio em
áreas nas quais eu tenho responsabilidade e necessidade espirituais.
Concomitantemente, se eu tento ser útil a mim mesmo, às minhas famílias
material e espiritual e à sociedade, eu acentuo, ainda mais as conquistas
espirituais internas e, de quebra, ainda adquiro créditos espirituais e
correntes de simpatia por parte dos Espíritos amigos em função da minha atuação
no campo do bem como membro ativo da Obra da Criação.
A nossa
Evolução Espiritual trata-se de processo contínuo, através de diferentes
exercícios e trabalhos, seja aqui enquanto encarnados, seja no mundo espiritual
na condição de Espíritos desencarnados. Como “a cada um é dado conforme suas
obras” estamos, sempre, ininterruptamente, plantando e colhendo. À medida em que formos melhorando a qualidade
daquilo que plantamos; lenta, natural e gradualmente, passaremos a colher cada
vez mais oportunidades positivas, proporcionais à quantidade e à intensidade de
nossas ações no bem.
Se enfrentamos
uma situação difícil, mais do que uma “punição”, tal desafio constitui uma luta
para exercitar nossa bagagem espiritual, ou seja, trata-se de uma terapia em
função de uma necessidade espiritual íntima que, se bem concluída, constituirá
em conquista espiritual inalienável para nós mesmos, isto é, para nosso próprio
Espírito imortal.
Portanto, não
somos propriamente “Espíritos culpados” ou “Espíritos pecadores”, somos, em
verdade, Espíritos imortais, criados por Deus, responsáveis pelo que fazemos e
em processo de amadurecimento espiritual. Para tal objetivo, vivenciamos
experiências que são necessárias à nossa educação espiritual, a fim de lograrmos
cada vez mais nossa identificação com níveis mais elevados de Espiritualidade.
Em “O
Evangelho Segundo o Espiritismo” está registrado com muita propriedade: “Toda
expiação pode ser considerada uma prova, mas nem toda prova é uma expiação”, o
que equivale a dizer que se eu considerar todas as vivências humanas provas
evolutivas, não estarei equivocado à luz da Doutrina Espírita, mas se
considerar tudo “pagamento” por débitos do passado estarei deturpando
completamente o sentido da reencarnação. Isso ocorre porque mesmo nos processos
em que temos responsabilidades diretas do passado, a experiência que implica em
maior nível de esforço por parte do reencarnado, é sempre, antes de qualquer outra
coisa, um trabalho eminentemente educacional para fins evolutivos e
promocionais do Espírito imortal. Tais experiências são propiciadas pela
Misericórdia Divina, através de seus Prepostos, que sempre nos renovam as
oportunidades de crescimento espiritual.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 26 de março de 2014
O Espiritismo é Cristão?
A Doutrina Espírita é eminentemente cristã. Segundo “O Livro dos Espíritos”, Jesus de Nazaré “é o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir de modelo e guia”. De fato, Jesus de Nazaré, à luz da Doutrina Espírita, é o Espírito mais elevado que já reencarnou na Terra. Portanto, sua moral é a mais evoluída, seus ensinamentos são os mais abrangentes e sua conduta é a mais espiritualizada que o homem terrestre pode almejar, tendo em vista os exemplos fornecidos por todos que já habitaram o nosso planeta.
Portanto, essa base fundamental, que está estabelecida na terceira parte de “O Livro dos Espíritos” (Das Leis Morais), constitui o alicerce conceitual no qual se erguerá a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Isso ocorre pois devemos estudar com profundidade o Evangelho de Jesus à luz do avanço intelecto-moral dos tempos atuais, incluindo as informações veiculadas pelo Espiritismo.
Entretanto, o conhecimento humano a respeito da verdadeira espiritualidade/religiosidade pode e deve evoluir além dos ensinamentos expostos por Jesus. Em primeiro lugar, ficar restrito a textos que foram submetidos a prováveis adulterações e erros de tradução é limitar o avanço real em busca da “Verdade que liberta”. Jesus era e é o Mestre por excelência, grande professor e governador da Terra que nos ensinou e ensina, constantemente, a caminhar para o Pai, a fim de atingir o Reino dos Céus. Obviamente, como grande professor, ele sabia que “luz demais ofusca, ao invés de iluminar” as consciências, implicando que não disse tudo, isto é, não ensinou tudo, como ele mesmo afirmou isso no Evangelho. O próprio Mestre explicou que o recurso didático das parábolas era utilizado em função da dificuldade da maioria das criaturas entenderem seus enunciados. Considerando a “Lei do Progresso” (vide “O Livro dos Espíritos”), através do mecanismo da reencarnação, Jesus sabia que muitos ensinamentos só seriam lenta e gradualmente assimilados pelos Espíritos em evolução. “Muito mais eu tenho para vos dizer, mas no momento não podeis suportar” disse-nos Jesus, permitindo inferir que, se “no momento” não podíamos suportar, poderíamos suportar no futuro. Portanto, as revelações são sucessivas e de acordo com a evolução intelecto-moral da humanidade através das experiências alternadas, ora no mundo espiritual, ora no mundo físico.
Portanto, o Espiritismo é eminentemente cristão, mas isso não quer dizer que restringe os estudos referentes à busca de espiritualidade/religiosidade à leitura do Evangelho ou da Bíblia somente. Além disso, para o Espiritismo, Jesus não é Deus, e a chamada “Santíssima Trindade” constitui crença completamente equivocada. Como se não bastasse, para o Espiritismo, as tradições cristãs têm muitas deturpações em relação à essência do pensamento do Mestre. Portanto, o que é tradicional não necessariamente é verdadeiro e não necessariamente merece consideração doutrinária de nossa parte. Dessa forma, muitos religiosos das doutrinas tradicionais não consideram o Espiritismo uma religião completamente cristã. Questionam o caráter cristão do Espiritismo baseados em seus próprios dogmas, que nada têm a ver com os ensinos propriamente de Jesus. Entretanto, o Espiritismo não perde nada com essa opinião, até porque não busca o reconhecimento enquanto movimento cristão por parte de outras correntes. Não se trata de tarefa nossa a modificação da mentalidade de outros movimentos.
Portanto, sigamos a Jesus e Kardec, estudando, sem preconceitos todos os conteúdos significativos visando ao nosso crescimento espiritual. O reconhecimento enquanto cristãos em nada acrescentaria à nossa evolução como movimento, e muito menos individualmente. Tal dificuldade somente demonstra o quão difícil é vencer preconceitos assim como o nível de afastamento da verdadeira essência do Evangelho de Jesus em que se encontram muitos dos chamados “membros do Cristianismo tradicional”.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 19 de março de 2014
“Por trás do Véu de Ísis” de Marcel Souto Maior
A
obra “Por trás do Véu de Ísis” constitui interessante pesquisa sobre
imortalidade da alma e mediunidade, sobretudo psicográfica. Trata-se da segunda
obra a respeito de assuntos espirituais/religiosos do referido autor e que
constituiu subsídio para a elaboração do roteiro do filme “As mães de Chico
Xavier”. A primeira obra de Marcel foi o “best-seller” “As Vidas de Chico
Xavier”, livro de caráter biográfico a respeito do médium de Pedro Leopoldo,
que serviu de base para o chamado “roteiro adaptado” do filme “Chico Xavier”.
Posteriormente, Marcel publicaria mais duas excelentes obras dentro do mesmo
assunto geral: “Lições de Chico Xavier” e, a mais recente delas, “Kardec, A
biografia”.
O
autor, renomado jornalista das Organizações Globo e que não se proclama adepto
de religião alguma, faz uma pesquisa isenta, com os olhos de um cético
inteligente e interessado. Marcel Souto Maior escreve muito bem, ou seja, é
objetivo, claro, utilizando linguagem escorreita. Conhece a complexidade do
tema e pressupõe, corretamente, os vários riscos de interpretações equivocadas
a partir de uma análise imperfeita do fenômeno. Mesmo assim se predispõe à
árdua tarefa. E elabora uma obra de fôlego que consiste em honesta e importante
contribuição ao estudo do fenômeno mediúnico.
A
busca de provas irrefutáveis a respeito da autenticidade da imortalidade da
alma e da mediunidade requer um conhecimento substancial concernente às
dificuldades inerentes ao fenômeno mediúnico. Sem um conhecimento mais profundo
a respeito desses obstáculos, somente fenômenos altamente ostensivos podem
convencer um cético. E é atrás dessas evidências irrefutáveis e absolutas, e
portanto raras (mas não raríssimas!), que Marcel viaja o Brasil atrás de
médiuns que possam demonstrar a sobrevivência da vida espiritual à morte
corporal para alguém que, assim como ele, tem a “dúvida” como premissa
fundamental.
A
avaliação sincera dos médiuns visitados, sob os olhos de um pesquisador independente
de qualquer denominação ou vínculo religioso, denota o quão complexo é o
fenômeno mediúnico, sobretudo para os leigos no assunto. Indiretamente, o livro
também reforça a necessidade de nós, espíritas militantes, apresentarmos
elevado critério na análise e divulgação de obras que não apresentem a chancela
da “universalidade do ensino dos espíritos” ou do “controle universal do ensino
dos espíritos (CUEE).
O livro merece ser lido por espíritas e
não-espíritas, mesmo que ambos os grupos possam discordar de algumas conclusões
e das respectivas implicações inferidas pelo autor. De fato, sem ler, estudar,
discutir, comparar, avaliar e refletir, jamais conseguiremos estabelecer, sem
nenhum tipo de fanatismo, a era da Fé Raciocinada na Terra, onde todos possa
buscar o estudo, sob parâmetros científicos, a fim de realmente abordar a
chamada Espiritualidade de uma forma geral e profunda.
“O
conhecimento da Verdade para que ela nos liberte” requer o estudo para que ele
nos esclarece e forneça convicção onde exista apenas hipóteses. Cabe a nós,
portanto, a leitura inicial, para, posteriormente, estudarmos cada vez mais e
ininterruptamente essa e outras obras respeitáveis a respeito de questões
espirituais e/ou espíritas.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 12 de março de 2014
A Primeira Nota de Rodapé de “Memórias de Um Suicida”
A
primeira nota de rodapé da obra “Memórias de Um Suicida” ilustra a riqueza
doutrinária dessa obra extraordinária que nos foi proporcionada graças ao
esforço hercúleo da médium Yvonne do Amaral Pereira. Trinta anos após a
desencarnação de Dona Yvonne (ela retornou à pátria espiritual no início de
março de 1984) cabe-nos agradecê-la em nossos corações e orações para que a
querida irmã receba da Espiritualidade todo o carinho e consideração que fez
por merecer após muitos anos de dedicação e sacrifício em prol da divulgação da
Doutrina Espírita.
A
primeira versão da referida obra foi rejeitada pela Federação Espírita
Brasileira (FEB), não tendo sido, portanto, publicada. De fato, nessa época, a
FEB era praticamente a única editora espírita existente no Brasil e as
dificuldades para se publicar um livro, sobretudo de origem mediúnica, eram
elevadas para um médium com limitadíssimos recursos econômicos como era o caso
de Dona Yvonne. Tratava-se de um texto bem mais resumido do que a obra
conhecida atualmente. Era, nessa ocasião, livro de autor único, ou seja, obra
de autoria do célebre escritor do Romantismo português Camilo Castelo Branco, o
qual houvera, em um primeiro momento,
utilizado do pseudônimo Camilo Cândido Botelho. Com a rejeição da primeira
submissão visando à publicação, Yvonne seguiu as recomendações do Espírito
Doutor Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, guardando os originais para
posteriores orientações. Realmente, ela passou a trabalhar com o admirável
Espírito Léon Denis, que revisou os originais, expandindo, substancialmente, o
texto, através de explicações, discussões, aprofundamentos e implicações
doutrinárias de cada evento narrado por Camilo. Assim, a nova versão de
“Memórias de Um Suicida”, a qual seria, finalmente, aceita para publicação pelo
corpo editorial da FEB, trata-se de obra de autoria dupla.
A parceria
entre os dois autores espirituais da obra, Camilo Castelo Branco e Léon Denis,
apresenta grande sinergia e entrosamento, visando enriquecer-nos de informações
sobre o mundo espiritual. O primeiro autor foi o responsável pelas narrativas,
com grande ênfase naquelas vivenciadas pelo próprio escritor, ou seja, aquelas
narradas na primeira pessoa do singular. O segundo autor espiritual, grande
apóstolo do Espiritismo desde quando encarnado, desdobra o conteúdo doutrinário
que pode ser inferido a partir das narrativas de Camilo Castelo Branco.
“Memórias de
Um Suicida” consiste em obra inestimável para o aprofundamento das nossas bases
kardequianas, sobretudo no que se refere ao conhecimento a respeito da vida no
mundo espiritual, estando ao lado das obras de André Luiz como referência nesse
quesito.
Vejamos a
primeira nota de rodapé na referida obra para termos uma ideia do conteúdo que
todo o texto apresenta:
“Após a morte, antes que o Espírito se
oriente, gravitando para o verdadeiro “lar espiritual” que lhe cabe, será
sempre necessário o estágio numa “antecâmara”, numa região cuja densidade e
aflitivas configurações locais corresponderão aos estados vibratórios e mentais
do recém-desencarnado. Aí se deterá até que seja naturalmente “desanimalizado”,
isto é, que se desfaça dos fluidos e forças vitais de que são impregnados todos
os corpos materiais. Por aí se verá que a estada será temporária nesse umbral
do Além, conquanto geralmente penosa. Tais sejam o caráter, as ações
praticadas, o gênero de vida, e o gênero de morte que teve a entidade
desencarnada – tais serão o tempo e a penúria no local descrito. Existem
aqueles que aí apenas se demoram algumas horas. Outros levarão meses, anos
consecutivos, voltando à reencarnação sem atingirem à Espiritualidade. Em se
tratando de suicidas o caso assume proporções especiais, por dolorosas e
complexas. Estes aí se demorarão, geralmente, o tempo que ainda lhes restava
para conclusão do compromisso da existência que prematuramente cortaram.
Trazendo carregamentos avantajados de forças vitais animalizadas, além das
bagagens das paixões criminosas e uma desorganização mental, nervosa e
vibratória completas, é fácil entrever qual será a situação desses infelizes
para quem um só bálsamo existe: a prece das almas caritativas!
Se, por muito longo, esse estágio exorbite
das medidas normais ao caso – a reencarnação imediata será a terapêutica
indicada, embora acerba e dolorosa, o que será preferível a muitos anos em tão
desgraçada situação, assim se completando, então, o tempo que faltava ao
término da existência cortada”.
Leonardo Marmo Moreira
sexta-feira, 7 de março de 2014
A cura da doença cardíaca de Divaldo Franco por Sai Baba
Divaldo
Pereira Franco conta em um documentário certa experiência que vivenciou com
Sathya Sai Baba, famoso espiritualista indiano.
A
segunda metade da década de oitenta representou para Divaldo Franco uma época
de grande dificuldade orgânica. De fato, o admirável médium e orador espírita
baiano enfrentou persistente doença cardíaca que lhe proporcionava fortes
dores. É importante frisar que Divaldo chegou a ser desenganado pelos médicos
em vista da complexidade de sua afecção cardiovascular.
Divaldo
era muito amigo do conhecido escritor brasileiro Hermógenes, profundo
conhecedor e praticante da chamada Yoga. Hermógenes havia comentado com
Divaldo, por diversas vezes, a respeito das habilidades paranormais, inclusive
de cura, apresentadas por Sai Baba. Entretanto, Divaldo, embora respeitando os
comentários e as análises entusiásticas sobre Sai Baba, considerou que elas
poderiam estar superestimadas por uma admiração excessiva.
Nesse
contexto, Divaldo teve, certo dia, uma intensa angina pectoris e tomou sua medicação cardíaca (o medicamento
conhecido como isordil). Entretanto,
como a dor estava especialmente aguda naquela ocasião, Divaldo lembrou-se dos
comentários de Hermógenes sobre a capacidade de desdobramento e cura espiritual
apresentados por Sai Baba a partir de evocações de indivíduos necessitados. Foi
quando o tribuno baiano decidiu evocar Sai Baba, pedindo-lhe ajuda para sua
enfermidade. Divaldo se concentrou e evocou mentalmente Sai Baba. Nesse
momento, Divaldo teve uma visão psíquica de um jato de luz muito forte se
aproximar dele. Essa concentração luminosa foi aproximando-se de Divaldo e
tomando a forma humana. Um homem, trajado no estilo “black power”, chegou bem perto de Divaldo e impôs sua mão sobre o
peito de Divaldo, liberando concentrados fluídico-energéticos que atingiram a
área enferma do tórax de Divaldo, fazendo com que a dor se diluísse
imediatamente.
Divaldo,
ao recobrar a lucidez, refletiu sobre o ocorrido e, racional e
kardequianamente, elaborou hipóteses para tentar explicar o fenômeno. A
primeira e principal delas admitia que a cessação da dor foi basicamente
causada por um efeito retardado do próprio isordil.
Todavia, no dia seguinte, aproximadamente no mesmo horário, a dor cardíaca retomou
uma grande intensidade. Divaldo, então, resolveu não tomar o referido
medicamento e evocar novamente Sai Baba. A experiência de intervenção
espiritual se repetiu. No terceiro dia, novamente Divaldo não toma o medicamento
e evoca Sai Baba e o mesmo espírito aparece e a dor some.
Divaldo
não tinha mais dúvidas. Era um fenômeno mediúnico, dito “entre vivos”,
autêntico e a contribuição para a sua saúde era real.
Passou
um tempo e Divaldo, juntamente com seu amigo e confrade Nilson de Souza
Pereira, foi convidado por Hermógenes a ir a Índia conhecer Sai Baba. Em
princípio, Divaldo rejeitou o convite, em função dos gastos que a viagem
requisitaria. Entretanto, a instituição Capemi resolve patrocinar a viagem de
Divaldo e Nilson, o que de fato ocorreu no ano de 1991.
Chegando
lá e ao encontrar Sai Baba, o mestre indiano diz, ao fitar Divaldo: “Nós já nos
conhecemos!”, o que chocou Divaldo, confirmando a autoria das assistências
espirituais recebidas.
Poucos
dias depois, Divaldo estava na presença de Sai Baba e o mestre indiano teria
perguntado: “O que desejas que eu faça por ti?”
Divaldo
respondeu: “Nada. Estou muito bem, não preciso de nada, obrigado.
O
Mestre insiste: “O que desejas que eu faça por ti?”
Divaldo
redarguiu: “Eu não preciso de nada. Sou um homem muito feliz”.
Neste
momento, Sai Baba o surpreende mais uma vez e pergunta: “E o coração?! Como
está?!”
Antes
que Divaldo se recuperasse do choque da nova confirmação, o mestre se aproxima
e crava o dedo entre as vértebras do médium, atingindo o coração de Divaldo. A
dor foi intensa, mas depois que Sai Baba retirou o dedo, a dor tinha passado e
não retornaria mais até os presentes dias. Era a cura definitiva.
Essa
notável experiência de Divaldo Franco ilustra vários ensinamentos de natureza
espiritual. O primeiro ensinamento é que todos nós precisamos uns dos outros,
como irmãos que somos, independentemente de rótulos e até da distância física. De
fato, não sabemos quem será o portador da intervenção da Providência Divina em
nossas vidas, uma vez que Deus ajuda a seu filhos através da ação no bem de
outros filhos. O segundo ensinamento é que a paranormalidade, incluindo
faculdades mediúnicas e anímicas, não é propriedade do Espiritismo e, sim, uma
faculdade inerente ao ser humano, podendo ser encontrada em todas as raças,
povos, classes sociais, profissões, idades, sexos, religiões etc. O terceiro
ensinamento é que vários fenômenos paranormais podem ocorrer concomitantemente,
o que implica na necessidade de aprofundamento doutrinário para que a nossa
interpretação de cada ocorrência seja a mais precisa possível.
Realmente, precisamos
estudar, cada vez mais e melhor, os fenômenos ditos paranormais, pois quanto
mais estudarmos, tanto os que eventualmente acontecem conosco mesmos, como os
que ocorrem com nossos irmãos, mais subsídios teremos para construir a nossa fé
raciocinada, que é o alicerce para a nossa definitiva transformação moral e,
consequentemente, para a nossa ascensão espiritual.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Os Objetivos da Prece
A prece à luz
da doutrina espírita apresenta 3 objetivos básicos: pedir; agradecer e louvar.
Desta
forma, nossas preces devem girar em torno dessas 3 abordagens. De fato, há
preces em que só pedimos, outas em que só agradecemos e outras ainda em que só
louvamos a Deus e/ou à natureza e/ou à vida etc. Por outro lado, há preces em
que associamos dois destes três objetivos e outras que contemplam os três
tópicos.
Em
relação ao beneficiário da prece, na maioria da vezes, oramos por cada um de
nós mesmos. Equivale a dizer que o EU ainda dita esmagadora maioria de nossas
rogativas. Em bom número de vezes, oramos por familiares próximos ou pessoas
queridas recém-desencarnadas, na maioria das vezes em pedidos que também
contemplam a nós mesmos.
Portanto,
poderíamos lembrar Raul Teixeira: “Invariavelmente pedimos; de vez em quando
agradecemos; e muito raramente louvamos” e, de nossa parte, poderíamos
acrescentar: invariavelmente pedimos por nós mesmos; de vez em quando pedimos
por outros ou agradecemos; muito raramente louvamos; e mais raramente ainda
oramos por nossos inimigos, conforme o Evangelho nos recomenda.
Além
dessa análise inicial, é importante registrar que a clareza e a objetividade,
que seriam importantes na elaboração de nossas preces, nem sempre são atingidas
porque nós não buscamos uma concentração real antes de iniciá-las.
O
estudo aprofundado dos 2 capítulos finais de “O Evangelho segundo o
Espiritismo” poderia ser uma ferramenta útil para que nós possamos reflexionar
sobre nossas preces, ainda eivadas de nosso egoísmo e conseguíssemos melhorar a
concatenação de nossas ideias, até para que as preces fiquem mais claras para
nós mesmos e, cada vez mais, descubramos o prazer de elaborar um prece sincera.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
O Caráter Progressivo da Revelação Espírita
O Espiritismo
é a chamada “terceira revelação”. Assim, como Moisés personifica a primeira
revelação, cujos conceitos fundamentais dizem respeito às noções de Justiça que
o Espírito Imortal deve aprender, Jesus representa a segunda revelação, isto é,
o Amor, simbolizando o nível moral mais elevado que podemos almejar na Terra.
Jesus e seus ensinos evangélicos, portanto, ensinam-nos a bondade que devemos
buscar incessantemente em nossas lutas evolutivas.
Entretanto, O
Mestre Jesus não pôde dizer tudo no tempo em que esteve encarnado entre os
homens, devido ao nível médio de evolução intelecto-moral muito baixo da
humanidade naquela época. Foi necessário que os homens e mulheres vivessem e
lutassem 18 séculos, progredindo através da reencarnação, para que o contexto
geral melhorasse. De fato, os Espíritos dos seres humanos que habitam a Terra
vivenciaram experiências visando à obtenção de crescimentos intelectuais e
morais para que o Evangelho de Jesus assim como todas as Leis Universais da
Vida pudessem ser assimilados em um nível de maior profundidade.
Neste
contexto, após o chamado “século das luzes” (século XVIII), que foi marcado
pelo Iluminismo e por avanços em diversas áreas do conhecimento, surge o
Espiritismo em meados do século XIX. Assim, o Espiritismo, que não é
personificado por nenhum indivíduo como as revelações anteriores, já que é
fruto do Ensino concordante dos Espíritos Evoluídos, traz a busca racional pela
Verdade. E, logicamente, a busca pela Verdade é contínua e crescente. Desta
forma, a Doutrina Espírita, representando a Fé Raciocinada, em uma harmônica
associação entre Ciência, Filosofia e Religião, sempre estará avançando com os
conhecimentos da humanidade.
Logo, não
podemos olvidar o caráter progressivo da Doutrina Espírita. Isso equivale a
dizer que, respeitando sempre as bases kardequianas, devemos aprofundar o
conteúdo doutrinário através das novas contribuições de obras subsidiárias
respeitáveis concernentes ao Espiritismo. Em outras palavras, “O Espiritismo
começa com Kardec, mas não termina com ele” e, assim sendo, estudaremos sempre
Kardec, mas estudaremos também outros autores espíritas respeitáveis que tragam
contribuições significativas para a nossa evolução espiritual.
Leonardo Marmo Moreira
sábado, 15 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
A auto-definição como espírita de Divaldo Franco
A primeira
palestra pública de Divaldo Pereira Franco foi proferida em Aracaju, capital do
estado de Sergipe, na antiga sede da União Espírita Sergipana, no dia 27 de
março de 1.947 (portanto, Divaldo está próximo de completar, no próximo mês de
março, 67 anos de serviço ininterrupto da área da oratória espírita, trabalho
incansável que o tornou grande expoente da divulgação doutrinária do Brasil e
do Mundo).
Divaldo estava
com 19 anos na ocasião. O seu anfitrião, que o havia convidado para passar
férias em seu lar, era espírita militante, e, percebendo a exuberante e
altamente ostensiva mediunidade de Divaldo, quis saber das especialidades
mediúnicas do jovem baiano, perguntando diretamente:
“Divaldo, você vê (Obviamente, ele
queria saber se Divaldo via os Espíritos, telas psíquicas projetas pelos
Espíritos e o mundo espiritual propriamente dito, ou seja, se tinha a
mediunidade de vidência)?
“Sim.
“Ouve? (Novamente, de forma bem sucinta
o amigo espírita queria saber se Divaldo ouvia as vozes dos Espíritos, isto é,
queria saber se tinha a mediunidade de audiência)
“Algumas vezes. (Nesta época, Divaldo
Franco ainda não psicografava)
“Você é médium, Divaldo (Um indivíduo
que vê os Espíritos com frequência e, de vez em quando, os ouve, certamente tem
uma mediunidade bastante substancial).
“Mas você é espírita?! (A pergunta é
carregada de grande sabedoria, pois o fato de alguém ser médium não torna essa
pessoa necessariamente espírita. A mediunidade é uma tendência inerente a todo
ser humano, que alguns apresentam em níveis mais intensos, os quais são
chamados de “médiuns de ação”, como o caso do próprio Divaldo.
“Eu ainda não sei. Eu ainda não li nada. Os
Espíritos mandaram-me ler “O Livro dos Espíritos”, mas eu ainda não o
encontrei. (Uma resposta também muito sábia. Os Amigos Espirituais
recomendaram que Divaldo lesse “O Livro dos Espíritos” para, se assim o
desejasse, de acordo com o próprio livre-arbítrio, tornar-se, em seguida,
espírita, a partir desse estudo sistemático da obra básica da Doutrina
Espírita. Divaldo não havia lido nem “O Livro dos Espíritos” e nem qualquer
outra obra que lhe desse subsídios para se intitular espírita. A resposta
também denota como naquela época era mais difícil a aquisição das obras
espíritas em relação aos dias atuais).
“Pois, eu lhe emprestarei (De fato,
emprestar, doar, ou mesmo adquirir os livros espíritas constitui dever dos
Espíritas militantes, pois trata-se de uma forma muito efetiva de divulgar o
Espíritismo e ajudar a manutenção material da Editoras espíritas e das obras
sociais que as editoras mantém, assim como ajudar as obras que são mantidas com
os direitos autorais desses mesmos livros. Além disso, Centros Espíritas e
livrarias espíritas, que usam os pequeninos lucros para a manutenção da casa
espírita e de suas obras sociais, são igualmente beneficiadas pela aquisição
dos livros e, atualmente, também dos DVDs, CDs, entre outras fontes de
divulgação).
“Você poderia contar-nos como é a
mediunidade?!
“Sim. Irei tentar... (E Divaldo profere
a palestra sob o auxílio espiritual de Humberto de Campos e, no dia seguinte,
faz sua segunda palestra, também sob a orientação do mesmo mentor espiritual).
De qualquer
maneira, Divaldo hesita em auto intitular-se espírita quando questionado sobre
esse ponto, mesmo já tendo informações dos Guias Espirituais que ele deveria
seguir esse caminho, a partir da leitura de “O Livro dos Espíritos”. Hesita
justamente porque não havia lido nada, nem mesmo a obra básica da Doutrina
Espírita. De fato, nós não podemos ser algo que nem ao menos sabemos do que se
trata; não podemos usar de determinada auto-denominação sem termos lido, nem
mesmo de forma superficial, nenhuma obra fundamental para a aquisição desse
conhecimento. Caso contrário, estaremos sendo levianos, afirmando ser algo que,
em verdade, ainda não somos. Realmente, Divaldo não tinha, até então, lido nem
ao menos “O Livro dos Espíritos”, que constitui a base fundamental do corpo
doutrinário espírita. Por essa razão, usa de bom senso, sendo cuidadoso ao não
se intitular naquele momento como adepto do Espíritismo, o que ocorreria
efetivamente pouquíssimo tempo após esse episódio.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Jesus, o ser mais perfeito da Terra, não do Universo
A
Doutrina Espírita explica com muita eloquência e consistência argumentativa
que, realmente, Jesus não é Deus. De fato, essa proposta, filha de crenças
mitológicas, é mantida pela Igreja Católica e outras doutrinas ditas cristãs
até hoje.
Realmente, a
crença dogmática na chamada “Santíssima Trindade”, que nos remete ao Concílio
de Niceia, é um dos grandes erros doutrinários da tradição cristã ocidental, a
qual gerou, por consequência, uma série de outros erros.
Kardec discute
muito bem essa questão na Codificação, deixando claro que Jesus não é Deus, e
várias vezes esforçou-se para deixar isso claro em seu Evangelho.
Jesus é nosso
irmão mais velho, mais experiente, mais sábio e mais bondoso. Indiscutivelmente
“o ser mais perfeito que deu nos ofereceu para servir de modelo e de guia”,
conforme Questão 625 de “O Livro dos Espíritos”.
Por outro
lado, os Espíritos superiores não afirmam que Jesus é ser mais perfeito do
Universo, o que equivaleria a dizer o mais elevado do Universo, depois de Deus.
Nem mesmo afirmam que Jesus é o ser mais elevado de nossa galáxia, a Via
Láctea. Afirmam, apenas, que Jesus de Nazaré é o ser mais perfeito que se encarnou
na Terra.
Admitindo que
“há muitas moradas na casa do Pai”, admitiremos igualmente que o Criador
certamente proporcionou a essas outras moradas Cristos para serem “modelos e
guias” para esses respectivos mundos.
Chico Xavier
comenta com muita propriedade tal questão na obra que escreveu, juntamente com
Herculano Pires e Espíritos Diversos intitulada “Diálogo com os Vivos”.
Trata-se do último capítulo deste admirável livro, que todos nós espíritas
deveríamos ler e estudar.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
A Seleção da Equipe que formou “A Falange do Espírito de Verdade”
Jesus, no
Sermão da Montanha, afirmou que “Deus não faz acepção de pessoas”, ou seja,
“não discrimina ninguém”, como já disse, certa vez, o admirável Pastor Nehemias
Marien.
Os
Espíritos que são escolhidos por Deus para grandes tarefas devem apresentar
valores intelecto-morais indiscutíveis. E, a julgar pelos nomes exarados, por
exemplo, em “Prolegômenos” (O Livro dos Espíritos), a seleção dos Espíritos da
Falange do Espírito de Verdade foi elaborada com elevadíssimo rigor.
A
seleção de Espíritos incluiu grandes teólogos católicos (como Santo Agostinho),
apóstolos de Jesus (Apóstolos Paulo e João Evangelista), missionários
protestantes (como Jerônimo de Praga, mentor espiritual de Léon Denis e que
houvera sido precursor da Reforma Protestante), grandes filósofos (como
Sócrates e Platão) e famosos cientistas (como Galileu Galilei e Samuel
Hahnemann), denotando que não é o “rótulo” ou a identificação ideológica de
qualquer espécie, o que representa qualidade real, mas o “conjunto da obra”,
isto é, todo o conjunto de valores intelectuais, morais e espirituais que o
Espírito tenha adquirido em sua trajetória evolutiva.
Interessante
constatar que sendo uma Doutrina de aspecto tríplice, isto é, abrangendo
aspectos filosófico, científico e religioso, foram convocados Espíritos que
representam, com nível de excelência, cada uma destas abordagens. Este fato demonstra, inequivocamente, que
seremos avaliados pelas nossas obras, as quais refletem a construção espiritual
que já conquistamos dentro de nós mesmos. Além disso, essa seleção abrangendo
grandes nomes da História Universal
denota a qualidade inerente à obra da Codificação e do Espiritismo como
um todo e a nossa responsabilidade enquanto adeptos do Espiritismo.
Leonardo Marmo Moreira
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Reunião Espírita de Moços ou Reunião de Moços que, eventualmente, seriam espíritas?!
No passado, havia
significativa resistência ao trabalho de mocidades espíritas em diversas casas
espíritas brasileiras. Motivadas pela opinião de alguns confrades
injustificadamente contrários a este tipo de trabalho que eram formadores de opinião
ou por medo de um tipo de atividade muito independente das demais reuniões desenvolvidas
pelo centro espírita, ou até mesmo em função de um despreparo para lidar com os
jovens, a resistência ao trabalho de mocidades espíritas era comum. De fato, em
uma época em que os grupos de estudos eram menos comuns e as casas espíritas,
sobretudo no interior do Brasil, apresentavam grande predominância de trabalhos
de palestras em suas reuniões, muitos dirigentes vetavam o trabalho de
mocidades espíritas em suas casas espíritas.
O trabalho de unificação do movimento espírita, o
crescimento do número de centros espíritas frequentado por jovens, o aumento do
número de grupos de estudos sistematizados e não-sistematizados (além das
atividades de palestras) e a diversificação crescente das atividades espíritas
propiciaram uma maior abertura para a criação e o desenvolvimento de grande
número de mocidades espíritas bem como tarefas correlatas em casas espíritas
que não apresentavam esse tipo de trabalho.
Obviamente, trata-se de uma conquista, uma grande vitória do
Movimento Espírita, em se tratando da busca pelo aumento e principalmente pela
melhoria das atividades empreendidas pela casa espírita.
Entretanto, tal como ocorre com todos os demais trabalhos da
Casa Espírita, o trabalho de mocidades espíritas tem suas potencialidades,
dificuldades, peculiaridades e riscos inerentes, os quais devem ser analisados
e administrados com atenção pelos dirigentes responsáveis do Movimento Espírita,
semelhantemente ao que acontece com as reuniões mediúnicas de desenvolvimento e
desobsessão; reuniões de evangelização da criança; trabalhos de fluidoterapia;
atendimento fraterno; reuniões de palestras públicas, assistência social etc.
Há, porém, um problema adicional, em se tratando de reuniões
de mocidade espírita, em comparação com as demais reuniões da casa espírita,
predominantemente direcionadas ao público adulto. É que, pela própria faixa
etária, o trabalho de mocidade tem um papel de destaque na formação de novos
trabalhadores espíritas. De fato, as evangelizações infantis, com raras e
especiais exceções são muito mais focadas no ensino moral, e mesmo que já
exista alguma ênfase em algum conteúdo doutrinário, pela própria idade do
público alvo, temos que admitir que a solidificação da assimilação dos
conteúdos somente ocorrerá a partir da pré-mocidade (também conhecida como
primeiro ciclo das reuniões de mocidades), que engloba pré-adolescentes com no
mínimo 10 ou 11 anos.
Portanto, mesmo que se trate de jovem de família espírita,
habituado ao Evangelho no Lar e que tenha passado pela evangelização espírita
infantil, as reuniões de mocidades espíritas terão um papel de destaque no
amadurecimento pessoal e enquanto espírita militante do adolescente. Até porque
não podemos ignorar a chamada “crise da adolescência”, que dependendo do jovem,
pode gerar sérios impactos existenciais.
Dentro deste contexto, temos que lembrar que grande número de
pais espíritas (e muitas vezes espíritas militantes dirigentes do movimento
espírita) não conseguem que seus filhos se tornem pelo menos frequentadores da
casa espírita. Essa realidade que é grave e já antiga no movimento espírita,
não tem recebido esforços suficientes por parte de pais e dirigentes espíritas
no sentido da busca da melhoria do respectivo panorama.
A
fim de que façamos algumas reflexões a respeito da necessidade de melhorar esse
quadro e das estratégias que poderiam ser desenvolvidas no movimento espírita
para essa finalidade, analisemos alguns tópicos da questão. Basicamente,
existem dois pilares fundamentais que devem ser respeitados: A reunião deve ser
agradável e interessante para que os jovens tenham interesse em frequentá-la
mais vezes, assumindo, paulatinamente, um compromisso pessoal crescente com a
casa espírita e o movimento espírita; e, principalmente, a reunião deve
fornecer doutrina espírita, gerando concretamente crescimento doutrinário para
os participantes.
Uma
reunião de mocidade espírita “cansativa”, cujos coordenadores não apresentem
abordagens carismáticas com os jovens, dificilmente vai vingar, pois não terá
apelo suficiente para solidificar um grupo de adolescentes, mesmo que tenha
elevado conteúdo doutrinário (se tiver, talvez os mais comprometidos e
idealistas se mantenham vinculados, mas o grupo não tenderá a crescer
significativamente). Por outro lado, um grupo de estudos doutrinários sólidos,
porém sem nenhum carisma e sem uma abordagem minimamente interessante e motivadora
para os jovens somente captará um número mínimo de jovens, na melhor das hipóteses.
Há grupos que nascem sem nenhum dos dois pré-requisitos e estão fadados ao
desinteresse e à extinção. Conforme já comentamos, há outros grupos muito
doutrinários, mas sem o ambiente adequado aos jovens, não gerando o estímulo e
a motivação, que são tão importantes, sobretudo, nessa faixa etária.
Obviamente, existem grupos que apresentam os dois pré-requisitos e tem grandes
possibilidades de sucesso sob vários ângulos da questão. Mas há, também, grupos
que a pretexto de atrair os jovens ou em função de ideias personalistas de seus
dirigentes criam dinâmicas próprias que podem ter muito apelo ao jovem e podem
até manter as reuniões cheias de frequentadores por determinado tempo, mas a
médio e longo prazos dificilmente vão ajudar a formar novos trabalhadores
espíritas, pois não abordam o Espiritismo propriamente dito. Evidentemente, não
estamos afirmando que tais grupos não possam fornecer uma certa contribuição
indireta ao movimento espírita, mas também não podemos deixar de considerar que
ainda estão muito longe da proposta verdadeiramente espírita.
Em primeiro lugar, é importante que fique claro que a
reunião de mocidade trata-se de uma reunião espírita predominantemente
frequentada por moços (o que não exclui a eventual e muitas vezes bem-vinda
presença de pessoas de maior idade) e não de uma reunião de moços que
eventualmente poderiam ter alguma ligação com o Espiritismo. A diferença entre
os dois casos em questão é gigantesca, mesmo que aparentemente, em um análise
rápida, confrades sem vivência nesse tipo de trabalho possam achar que não.
De fato, amigos espíritas jovens podem estar reunidos para
discutir futebol, política, educação, música, comportamento, sexo, namoro, vida
social, e diversos outros assuntos com ou sem algum tipo de conotação espírita.
Portanto, a reunião
espírita de moços é uma reunião espírita que tem características mais adequadas
e mais interessantes à faixa etária dos jovens. Música com temática
evangélico-doutrinária, temas de interesse do jovem analisados à luz da
Doutrina Espírita e preferencialmente através do estudo de textos espíritas,
atividades recreativas com um fundo evangélico-doutrinário explícito que
permita a reflexão posterior por parte do grupo, em termos de valores morais
e/ou conceitos doutrinários, são práticas comuns e até mesmo bem-vindas em uma
reunião de mocidade espírita (ressalva-se que atividades mais elaboradas como o
ensaio para o teatro, por exemplo, como nos recomenda Raul Teixeira, jamais
deverá consumir o tempo de estudo doutrinário dos jovens. Ademais, o enredo da
peça deve ser muito bem escolhido, com linguagem adequada, para que o trabalho
não seja de baixo nível doutrinário, moral e artístico).
Entretanto,
vale ressaltar uma vez mais, que trata-se de uma reunião espírita adaptada ao modus vivendi dos jovens, ou seja, são
recursos pedagógicos apropriados ao público em questão (público jovem), sem
deixar em segundo plano aquilo que é fundamental e prioritário em todas as
atividades espíritas: O ENSINO DO ESPIRITISMO. Portanto, a reunião de mocidade
espírita não consiste em uma reunião de jovens que em maior ou menor grau
possam ter alguma discussão com conotação espírita, pois essa deve ser a
diretriz básica de toda reunião espírita. A reunião de mocidade dentro da casa
espírita é uma reunião de mocidade espírita e não de uma mocidade apenas
espiritualista. Trata-se de diferença que pode parecer sutil mas que é
verdadeiramente substancial e pode direta ou indiretamente gerar uma série de
implicações negativas ao trabalho desenvolvido, tais como não equacionar
questões espirituais graves vivenciadas pelos jovens e não formar novos
trabalhadores espíritas para o presente e para o futuro.
Logo, uma reunião de moços com eventual enfoque espírita
pode ser, na realidade, apenas uma reunião espiritualista, e não espírita
propriamente. Esse tipo de abordagem pode ser pretexto para o estudo de uma
série de autores não espíritas em detrimento de autores espíritas. Portanto,
aquilo que deveria ser a exceção, facilmente pode tornar-se a regra. Sem a
sólida diretriz doutrinária, as atividades lúdico-pedagógicas perdem o sentido,
podendo descambar para qualquer coisa, pois a ética doutrinária não está
presente em uma espécie de “relativismo doutrinário” e, por consequência, de um
“relativismo moral”. Além disso, as “atividades” tem sempre algo de subjetivo,
implicando que a ausência de objetivo doutrinário explícito pode fazer com que
os jovens concluam qualquer coisa a partir do proposta em questão ou que
simplesmente não concluam nada, fazendo a mesma única e exclusivamente pelo
entretenimento.
Nesse contexto, o trabalho estará totalmente refém das
ideias dos formadores de opinião presentes no grupo em questão. Se por grande golpe
de sorte, o referido grupo contemplar grande número de jovens que já sejam
espíritas conscientes militantes, as conotações doutrinárias podem ser
conservadas minimamente, de forma indireta, através da participação efetiva dos
componentes realmente convertidos ao Espiritismo, mas se esse não for o caso, o
grupo será um “barco à deriva”, podendo distanciar-se muito daquilo que se
espera de um grupo realmente espírita.
Devemos lembrar que o indivíduo entra na mocidade espírita
muitas vezes como um pré-adolescente, mas sai frequentemente como um adulto, e
se não cuidarmos dessa formação educacional, pode acontecer de se tonar, por
exemplo, um adulto que frequentou 10 anos a casa espírita e que não se tornou
espírita. É claro que isso sempre pode acontecer em função do livre-arbítrio do
indivíduo e das características inerentes à formação de personalidade que
ocorre na juventude, mas obviamente a casa espírita deve trabalhar para que não
aconteça, não sendo negligente nessa questão.
Ademais,
enquanto espíritas, não podemos ignorar a possibilidade de fascinação, pois a
vaidade intelectual, o personalismo e outros conflitos espirituais, tão comuns
em grupos de debates, pode gerar uma certa tentação em termos de busca de
originalidade, mesmo que às custas da Doutrina Espírita, e isso vale para
qualquer tipo de grupo espírita, incluindo as mocidades. Outrossim, as casas
espíritas costumam sofrer grandes pressões espirituais negativas, em que pese a
proteção dos mentores, para que de uma forma ou de outra o trabalho e o ideal
espírita possam ser lenta e gradualmente desconstruídos.
No
caso da mocidade que não tenha diretrizes adequadas doutrinariamente, se, pelo
menos, o grupo aceitar as inserções doutrinárias daqueles jovens e/ou
participantes mais comprometidos, o andamento das atividades terá, ao menos
temporariamente, significativo nível de discussão espírita. Caso contrário, os
espíritas militantes tendem a ir lenta e gradualmente se afastando do grupo,
por uma questão de rejeição aos seus postulados (afinidade espiritual), e o
grupo tende a se afastar cada vez mais daquilo que seria um grupo
verdadeiramente espírita.
É importante frisar que a juventude não é uma fase
espiritualmente tranquila de ser vivenciada. Pelo contrário, trata-se de uma
das fases decisivas para a formação do caráter e consequentemente para o
sucesso reencarnatório do Espírito reencarnante. Conflitos sociais, pessoais,
educacionais, afetivos, familiares, sexuais, entre outros, são comuns aos
jovens, e, obviamente, o apoio doutrinário que a casa espírita pode fornecer é
de fundamental importância para o crescimento espiritual e consequentemente
para a superação dos problemas existenciais por parte dos moços.
Abster-se de fornecer o conteúdo doutrinário em uma reunião
ou evento destinado a esse fim, isto é, rotulado como espírita, trata-se de
grave responsabilidade por parte daqueles que abraçam diretrizes
“semi-espíritas”, sob o rótulo de “espíritas”.
Além disso, com tal negligência não estaremos auxiliando os
jovens com os melhores recursos, aqueles disponibilizados pelo Espiritismo,
para remontar às causas de seus conflitos procurando minimizá-los. E muito
menos formando novos trabalhadores espíritas para o presente e o futuro do
movimento espírita.
Emmanuel afirma que “a maior caridade que podemos fazer pela
doutrina espírita é a sua divulgação”, o que sugere fortemente que devamos ser
coerentes com o título “espírita” que utilizamos e com o título “espírita” das
instituições e eventos dos quais participamos. O próprio Mestre Jesus trabalhou
com alguns jovens, na condição de Apóstolos de sua mensagem. Dessa forma, “vigiemos”
para que o centro espírita seja realmente “A Universidade da Alma” para todas
as suas classes e faixas etárias, incluindo as mocidades espíritas, uma classe
muito importante para a construção do trabalho espírita do presente e do futuro
visando à divulgação do “Consolador” prometido por Jesus.
Leonardo Marmo Moreira
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