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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Questionamentos sobre esclarecimentos espíritas no velório

Recentemente, temos sido questionados sobre a atitude espírita mais adequada no velório. Obviamente, o espírita deve ter uma atitude de vigilância moral e espiritual para contribuir efetivamente com o desencarnante, principalmente através da prece e das suas vibrações através da conduta elevada; e com a família bem como os amigos encarnados do desencarnante, através do apoio emocional e espiritual, dentro dos limites naturais que a situação permita.  Isso pode ou não incluir algum esclarecimento doutrinário pontual, desde que solicitado por um único indivíduo ou por um grupo e respeitando a liberdade individual de cada ser humano. Entretanto, alguns confrades nos questionaram a respeito de orientações recebidas em determinados grupos espíritas que recomendavam um trabalho fortemente doutrinário em velórios, seja velório de famílias espíritas ou não-espíritas, independentemente desse trabalho ser sido ou não solicitado pela família.

Primeiramente temos que relembrar que o assunto velório é muito delicado, pois cada indivíduo reage à desencarnação de um ser querido de uma forma muito particular. Em que pese a muito provável boa intenção dos proponentes da supracitada diretriz, temos que convir que muitos familiares e amigos podem estar em verdadeiro estado de choque, ou seja, em contundente perturbação emocional e espiritual. Ademais, o trabalho de uma vida de amadurecimento religioso não pode ser improvisado, sobretudo em um momento de grande estresse emocional. Como dizem alguns estudiosos norte-americanos: “Na hora da ação, a hora da preparação já passou”.

Assim sendo, em princípio, sem maiores detalhes a respeito das nuances que envolvem tal orientação, não podemos concordar com as referidas sugestões. Não é possível elaborar um grupo de estudo ad hoc para o velório (e o que é pior, para velório de qualquer tipo de família). A iniciativa poderia ser modificada e melhorada consideravelmente se fosse para ser formado um grupo de estudos na casa espírita que abordasse temas como velório, morte, adaptação ao mundo espiritual etc. 

Seria interessante, por exemplo, o estudo das obras de André Luiz, a obra "Voltei" de Irmão Jacob, entre outras obtidas pela mediunidade de Chico Xavier. Poderíamos também citar “Memórias de Um Suicida” de Yvonne Pereira e as obras de Manoel P. Miranda pelo médium Divaldo Franco. Tais obras deveriam ser utilizadas objetivando, obviamente, o estudo dentro da Casa Espírita. Daí a constituir um grupo que vá a "velórios espíritas ou não espíritas, para orar, e fazer uma explanação" vai uma enorme diferença. Portanto, a não ser que exista um convite bem explícito, que represente o desejo de toda a família, tal iniciativa não seria interessante, pois poderia acarretar situações desagradáveis de conflito religioso e antipatia, totalmente dispensáveis, principalmente para o Espírito desencarnante, em momento de tamanha comoção.

De fato, nem sempre o “grupo de estudos e exposição espírita” será bem-vindo no velório, sobretudo em se tratando de velórios não espíritas! E mesmo em velórios espíritas, nem sempre somos amigos da família e nem sempre a família quer que haja "explanações".

Neste contexto, fomos igualmente interrogados sobre o respeito que devemos ter pelas orientações dos dirigentes espíritas que recomendaram tal iniciativa. Essa também é uma questão que requer necessariamente grande cota de educação, tato, bom-senso e preparação doutrinária.

            A "hierarquia" no Movimento Espírita é dada em primeiro lugar pelo amor e pela autoridade moral (enfim, pelo elevado caráter e pela bondade) e pelo conteúdo doutrinário dos participantes, juntamente com a coerência e simplicidade de atitudes associadas à ação de cada trabalhador dentro da instituição espírita. Claro que devemos respeitar os cargos e a direção da Casa e/ou órgãos espíritas, assim como as respectivas responsabilidades associadas a cada posição no Movimento Espírita, mesmo quando tenhamos opiniões divergentes a respeito de algum ponto doutrinário ou diretriz institucional. Mas isso não quer dizer que a direção da Casa esteja necessariamente correta, do ponto de vista doutrinário, em todas as suas determinações. A Doutrina Espírita tem por meta encaminhar-nos à Verdade e é para isso que estudamos e trabalhamos, a fim de que “a Verdade nos liberte” de nossas mazelas morais. Entretanto, o Espiritismo também ensina-nos o “Livre-arbítrio” e que “A cada um é dado conforme suas obras”, implicando que não conseguiremos, e muito menos deveremos, violentar a consciência de quem quer que seja, independentemente da situação. Nosso trabalho é de educação global, e, para que isso ocorra de forma eficaz, temos que respeitar o tempo requisitado pelos indivíduos.


Somente a constância no estudo doutrinário fará com que nós tenhamos segurança doutrinária para, juntamente com uma "humildade dinâmica", poder avaliar a qualidade de cada informação que é veiculada no movimento espírita, seja de origem mediúnica ou não. Essa atitude é fundamental porque individualmente somos membros do Movimento Espírita, e teremos, é claro, nossa cota de responsabilidade pessoal pelo que fizermos e pelo que não fizermos como células do Movimento Espírita.

Leonardo Marmo Moreira

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Evolução Anímica: Determinismo Divino ou Esforço Evolutivo do Princípio Inteligente?

Recentemente, um querido amigo levantou algumas questões a respeito da evolução do princípio espiritual, ou seja, concernentes à evolução do princípio inteligente:

Em que momento e em que contexto ocorre o processo de individualização do princípio inteligente? Podemos considerar esse processo como evolução do princípio inteligente ou o mesmo ocorre em função do Determinismo Divino?

Começando pela segunda parte, temos que frisar para o nosso amigo que a Evolução Espiritual faz parte do Determinismo Divino. Não há nenhuma contradição entre os dois conceitos. Desta forma, o processo de individualização do princípio inteligente é igualmente evolução do princípio inteligente e também ocorre em função do Determinismo Divino. Assim sendo, a Evolução Espiritual não constitui ideia oposta ao Determinismo Divino. Pelo contrário, somente evoluímos porque Deus assim o deseja. Acontece que nos primórdios da evolução anímica tal processo acontece sem espaço para o livre-arbítrio do princípio inteligente, implicando que os automatismos naturais funcionam de forma muito lenta e gradual, porém sem margem para grandes variações individuais de intensidade evolutiva, que é o que acontece na fase hominal da evolução. De fato, como seres conscientes, nós, Espíritos na fase hominal, podemos acelerar ou atrasar nosso processo evolutivo, dependendo dos pensamentos, escolhas, esforços e atitudes, os quais podem significar melhor ou pior aproveitamento do tempo e das experiências. Esse nível de consciência não existe nas fases iniciais do processo evolutivo, fazendo com que a evolução seja mais lenta, porém ocorra de forma mais contínua, sem estar sujeita a grandes acidentes de percurso, como ocorre na fase hominal, em função da liberdade de escolha individual. 

 Sobre a primeira parte da pergunta, essa é uma questão muito difícil, porém, poderíamos conjecturar, com base nos capítulos 3 (Evolução e Corpo Espiritual - itens "primórdios da vida"; "nascimento do reino vegetal" e "formação das algas") e 10 ("Palavra e responsabilidade") da obra de André Luiz, "Evolução em Dois Mundos", que desde a formação do vírus, estrutura viva mais elementar que a célula, o processo de individualização já iniciou e que o mesmo vai se acentuando e ganhando maior delineamento em outras manifestações da vida, como bactérias, algas e vegetais. Assim, no reino animal, a individualização já é um fato consumado, com o princípio inteligente partindo para outras aquisições, tais como, o pensamento contínuo, os sentimentos mais elaborados, a memória, a noção de família e comunidade etc.
 
Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Parábola do Filho Pródigo ou Parábola dos Dois Filhos?!

                Apesar do nome tradicional atribuído à belíssima e esclarecedora metáfora de Jesus, “Parábola do Filho Pródigo”, talvez seria interessante chamá-la, para fins didáticos, “Parábola dos Dois Fiilhos”, ou algo que o valha (poderíamos ousar sugerir “Parábola do Filho Pródigo e do Filho Obediente”), destacando também o papel do filho tradicionalmente menos comentado e estudado.

                Essa sugestão é baseada em uma reflexão muito simples: na verdade, ora agimos como o filho pródigo, ora agimos como o filho obediente. Portanto, “somos os dois filhos”, tendendo, a cada momento que passa, para um ou outro lado, dependendo dos nossos valores espirituais, do contexto de vida que enfrentamos e do que estamos sentindo em relação à vida em cada instante, sobretudo em relação a nós mesmos e a nosso irmão.

                Quando desperdiçamos oportunidades evolutivas, o que acontece quase sempre, e sentimo-nos necessitados do amparo da Misericórdia Divina, identificamo-nos facilmente com o Filho Pródigo, e ficamos contentes em reconhecer que “quando ainda estava longe, o Pai correu em direção a ele e o abraçou”, simbolizando a aceitação e o acréscimo de Misericórdia que recebemos após cada queda espiritual. Trata-se de um bem-estar semelhante àquele que sentimos quando ouvimos o famoso “Vinde a mim todos vós que estais sobrecarregados e Eu vos aliviarei”. Isso ocorre porque ainda somos, na grande maioria, Espíritos muito endividados e com sérias dificuldades espirituais.

                Por outro lado, infelizmente, não apresentamos a mesma alegria quando notamos que a Providência Divina auxiliou a nosso irmão, ou seja, que nosso irmão é que, em determinado momento, está sendo o Filho Pródigo do referido contexto. Dessa forma, é comum agirmos como o “Filho obediente”, apesar de não termos, frequentemente, o hábito de perceber a identificação do comportamento apresentado com o filho que fica na casa paterna. Realmente, todas as vezes que nos colocamos na postura de indivíduos relativamente íntegros e que não estamos tendo “sorte na vida”, questionando os supostos benefícios que nosso irmão, a priori menos merecedor, tem recebido, estamos agindo como o “Filho Censor”, conforme adjetivação proposta por Emmanuel em “Palavras de Vida Eterna”.  De fato, quando outras pessoas, que apresentam postura espiritual em princípio menos elevada que a nossa, recebem oportunidades interessantes de refazimento espiritual temos dificuldades em aceitar o fato com alegria.

                A famosa Parábola nos ensina muito a respeito da necessidade de ajudar o Pai no auxílio a irmãos mais carentes de apoio espiritual, sem nenhuma manifestação de ciúme ou inveja propriamente considerada. Até porque, por várias oportunidades temos precisado e continuaremos, por muito tempo, a precisar, da misericórdia de Deus para que desfrutemos de novas oportunidades que não fazemos jus pelos nossos atos. É o chamado “Acréscimo de Misericórdia”, do qual todos nós somos, vez por outra, necessitados e beneficiários.

                O Apóstolo Paulo afirma “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” e Emmanuel comenta tal versículo em “Palavras de Vida Eterna”, inferindo que é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram. Entretanto, precisamos das duas atitudes para evoluir, pois, ambas caracterizam diferentes manifestações da caridade. Ensina-nos nosso Benfeitor Emmanuel na supracitada obra: “não te envaideças por ser bom, pois se Deus permitiu estares com Ele é para que estejas com Ele ajudando a teu irmão”. O verdadeiro Amor fica feliz com a felicidade e com as oportunidades ofertadas a nossos irmãos.


                Dessa forma, em nossos exercícios diários de Auto-conhecimento, procuremos analisar nossos comportamento, ora de “Filho Pródigo”, ora de “Filho Obediente”, a fim de diminuirmos nossas quedas, cumprindo cada vez mais a vontade do Pai, mas também para amar mais aqueles irmãos que ainda estão distantes de procurar o cumprimento de seus próprios deveres para com a Consciência individual, que representa a Lei Cósmica dentro de nós.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Parceria entre Herculano Pires e Chico Xavier

                A parceria entre Herculano Pires e Chico Xavier deu origem a interessantes livros, que são: “Na era do Espírito”; “Diálogo dos Vivos”; “Chico Xavier Pede Licença”; “Astronautas do Além” e “Na hora do Testemunho”.

Tais livros foram elaborados na primeira metade da década de setenta, apresentando, basicamente, uma estrutura autoral montada sobre um tripé: O comentário de apresentação da mensagem, elaborado pelo médium Chico Xavier (muitas vezes tratava-se da carta de apresentação da mensagem elaborada pelo médium em Uberaba-MG e enviada através dos Correios para Herculano Pires em São Paulo); A mensagem trazida pelo autor espiritual; e o texto comentando a mensagem propriamente dita assim como a carta de apresentação, de autoria do Professor José Herculano Pires.

A riqueza dos estudos produzidos por essa parceria é algo extraordinário, sendo que tais obras deveriam receber maior divulgação por parte do Movimento Espírita, uma vez que muitos desses livros são ignorados por um bom número de núcleos espíritas.

Além do elevado valor intrínseco dessas obras, as mesmas apresentam uma estruturação de obra de estudo doutrinário muito interessante, que demonstra não somente uma forma altamente didática de elaboração de volumes de estudo doutrinário como uma forma de estudo em nossas casas espíritas. De fato, os chamados “livros de mensagens” obtidos pela psicografia de Chico Xavier, apesar de muito lidos, não tem sido adequadamente estudados em grande número de casas espíritas.

Os livros de mensagens de autoria de Emmanuel e André Luiz, entre outros mentores, constituem grande contribuição para o nosso crescimento no conhecimento evangélico-moral-doutrinário, discutindo nuances complexas de nosso mundo íntimo assim como da vida espiritual e dos valores doutrinários. O professor Herculano Pires com seu indiscutível conhecimento Kardequiano, juntamente com elevada erudição, elabora análises de grande profundidade sobre o conteúdo apresentado pelas mensagens e também sobre as questões relacionadas ao fenômeno mediúnico que permitiu a obtenção da mesma. Herculano Pires comenta, contextualiza, aprofunda e valoriza o material obtido pela mediunidade Xavierina, ensinando-nos como devemos ler e estudar os chamados “livros de mensagens”. As diversas implicações comentadas por Herculano Pires, incluindo correlações com a ciência e a filosofia contemporâneas, demonstram acentuadamente a atualidade do pensamento espírita e a necessidade de maior reflexão e valorização de obras de inestimável valor espírita.


Vale registrar que os prefácios de tais obras, com especial destaque para “Diálogo dos Vivos” e “Chico Xavier Pede Licença” mostram a necessidade dessa troca de informações, ou seja, desse diálogo em prol de melhores interpretação e aproveitamento das mensagens que chegam por meio de grandes missionários da mediunidade, como é, obvimente, o caso de Chico Xavier.

Leonardo Marmo Moreira

quinta-feira, 29 de maio de 2014


Alcíone e a Obra Emmanuelina “Renúncia”: A Liberdade é total para o Amor”

                O livre-arbítrio é alicerce da Lei de Deus. E todos os caminhos consagrados ao bem são igualmente abençoados pela Providência Divina. Desta forma, todos os nossos esforços efetivos na procura e na construção do bem são inspirados por nossos mentores espirituais. Todas iniciativas são bem-vindas, pois caracterizam facetas da Lei Geral que é o Bem.

Assim sendo, mesmo quando os nossos mentores espirituais não acham o nosso projeto no bem o mais adequado para determinado contexto, eles consideram a possibilidade, respeitando o nosso livre-arbítrio e a nossa iniciativa de buscar tarefas positivas para nós mesmos e para nossos irmãos.

O bom senso deve sempre guiar tais iniciativas para que não nos percamos em projetos inapropriados. De qualquer maneira, se estamos focados no bem, nossos amigos terão paciência, amor e consideração por nossas idealizações.

Isso ocorreu na obra de Emmanuel “Renúncia”. Logo nas primeiras páginas percebemos os mentores tentando dissuadir, embora respeitosamente, o nobre Espírito de Alcíone de suas intenções focadas em uma possível reencarnação por amor a um grupo de Espíritos familiares. Consideravam o risco da empreitada e também o fato de, pessoalmente, Alcíone não necessitar de nova experiência daquele tipo. Todavia, prevaleceu a intenção de Alcíone e ela reencarnou por “renúncia” e, apesar de todos os perigos, alcançou grande vitória espiritual.

Obviamente, assumir riscos para fazer o bem, contra o opinião de mentores espirituais, constitui atitude que requer muita segurança pessoal, e não deve ser tida necessariamente como regra de conduta. O ideal seria tentar conciliar, na medida do possível, o orientação dos Espíritos mais experientes com nossos projetos no bem, mesmo admitindo, conforme ocorreu com Alcíone, a possibilidade de exceções serem bem-sucedidas.


Que nós tenhamos o bem sempre por base de tudo o que fazemos, desde nossas intenções mais profundas até a constituição dos projetos propriamente ditos. Assim, as tarefas por nós elaboradas serão equilibradas entre o bom senso e o amor. Como disse Jesus: “É necessário a pureza das pombas e a perspicácia das serpentes”.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Feitiçaria

                A feitiçaria, também conhecida como magia, está associada à paranormalidade, abrangendo tanto fenômenos anímicos como mediúnicos. Com frequência, os processos ditos “mágicos” abrangem desde a curiosidade menos útil, passando por objetivos individualistas que gravitam principalmente em torno de questões cotidianas da vida material, tais como obtenção de dinheiro, conquistas amorosas, aquisição de bens materiais, curas de doenças, entre outros, chegando mesmo a atingir, em alguns casos, objetivos claramente maliciosos, focalizados no prejuízo de outras pessoas através de diversos mecanismos e com vários diferentes escopos. Neste caso, estaríamos tratando da chamada “Magia Negra”.

                Importante registar que assim como acontece com o mau olhado, a Feitiçaria envolve muitas crendices populares, sendo que algumas têm fundo de verdade e outras não, aumentando a confusão em torno do tema.  De qualquer maneira, o mau olhado normalmente ocorre sem que o seu emissor saiba de seu poder desequilibrante, enquanto que a feitiçaria já seria algo provocado conscientemente, muito embora com alguma cota de superstição associada ao procedimento.

                Considerando que os objetivos muitas vezes são frívolos ou até maldosos (além de utilizarem frequentemente de recursos materiais totalmente descartáveis), os Espíritos que eventualmente poderiam estar associados ao processo, isto é, os “parceiros espirituais” de tais iniciativas, não podem ser muito evoluídos espiritualmente.

                Os ditos “trabalhos” de feitiçaria ou “macumbas” (principalmente aqueles direcionados a prejudicar outrem), entre outros nomes, conectam o evocador e/ou o indivíduo que solicitou o trabalho aos Espíritos maldosos e/ou zombeteiros que se interessam por tais práticas. Obviamente, tais “pactos” constituem associações para o desenvolvimento de obsessões, o que torna tanto o evocador como o interessado na evocação (admitindo que não se trate do mesmo indivíduo) Espíritos obsessores. Portanto, independentemente do fato da ação atingir ou não o seu objetivo, a intenção e a ação inicial propriamente dita já terão sido feitas, criando, obviamente, compromissos espirituais negativos graves para os seus causadores.

                No que se refere ao alvo do processo, ele poderá ser ou não atingido de forma significativa, dependendo de sua vida moral. Logo, os mesmos cuidados gerais que devemos ter para nos proteger de obsessões oriundas exclusivamente de desencarnados são aconselháveis para nos proteger dos chamados “trabalhos”, pois esses últimos não deixam de constituir eventos de vinculação mental, emocional e espiritual para execução de atitudes antiéticas a terceiros.

                O processo propriamente dito de constituição do “pacto” normalmente envolve alguma “oferenda” para agradar aos parceiros desencarnados. Tais Espíritos são ainda muito apegados à matéria, o que faz com que, por consequência, sentem saudade de alimentos materiais, com alta cota de fluido vital, tais como frutos e alimentos de origem animal. Assim, alguns costumam até mesmo a matar galinhas ou outros pequenos animais no ato de “constituição do pacto” para que o fluido vital eliminado no momento da morte possa ser haurido pelos Espíritos vampirizadores. O próprio mentor André Luiz comenta sobre fato semelhante em “Missionários da Luz”, quando uma falange de vampirizadores levam um Espírito suicida para um matadouro para poderem vampirizar tanto os fluidos vitais exteriorizados pelo suicida como aqueles eliminados pelos animais abatidos.


                Importante registrar que o vínculo espiritual com a falange de Espíritos obsessores pode ser mantido até a desencarnação dos encarnados envolvidos e, neste caso, dificilmente o usuário da magia, sobretudo da “magia negra”, vai se desvincular deles em um curto espaço de tempo. Além disso, o fato de se vincular a um grupo obsessor, tornando-se igualmente um obsessor, também torna o obsessor um obsediado, em função do clima espiritual em que passará a viver junto de seus comparsas espirituais.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mau Olhado

                O homem encarnado apresenta uma estrutura tríplice: Espírito; Corpo intermediário semi-material; e Corpo Físico. Entretanto, o corpo intermediário semi-material (que age como interface entre Espírito e Corpo físico), o qual é representado basicamente pelo Perispírito, a rigor não é formada apenas pelo Perispírito propriamente dito, mas, também pelo Corpo vital, também conhecido como Duplo Etérico, que é constituído fundamentalmente por fluido vital.

                Esse binômio Perispírito-Duplo Etérico constitui a base fundamental para a ocorrência dos chamados “fenômenos paranormais”, os quais abrangem tanto os fenômenos anímicos como os fenômenos mediúnicos. Os fenômenos anímicos são aqueles em que fundamentalmente prevalece a ação da própria “alma” (vale lembrar que na definição da Codificação Kardequiana, alma é o Espírito encarnado) do paranormal ao contrário dos fenômenos mediúnicos, nos quais o encarnado é o “filtro” (ou “telefone”), pelo qual o Espírito densencarnado age, ou seja, transmite sua ação.

                Dentre os fenômenos anímicos, a ação magnética do encarnado através da exteriorização de fluidos vitais consiste em um dos mais relevantes fenômenos. Assim como fluidos vitais de pessoas moralmente elevadas têm ação equilibrante, confortadora e curadora, a emissão de fluidos vitais de indivíduos moralmente inferiores tende a ser desequilibrante e prejudicial às saúdes mental, perispiritual e física. Tais fenômenos, inerentes a todo ser humano, podem ser muito intensos em indivíduos que tenham maior facilidade na emissão fluídica (liberação ectoplásmica), conhecidos como “magnetizadores”.

                Desta forma, os magnetizadores moralizados podem contribuir muito para a saúde dos nossos irmãos através do “Passe Espírita” assim como aqueles não moralizados podem prejudicar muito a saúde dos outros através da exteriorização de seus fluidos de baixo padrão vibratório, algo que é conhecido vulgarmente como “mau olhado”, entre outros nomes.

                Entretanto, ambos os processos supracitados dependem basicamente da afinidade espiritual, ou seja, da sintonia que poderia haver entre o receptor da emissão (“alvo da emissão”) e o emissor do fluido vital. Alta sintonia representa grande transmissão e baixa sintonia significa baixa transmissão fluídica, tanto para os fluidos oriundos de seres elevados espiritualmente como para os fluidos originados de seres inferiores do ponto de vista espiritual.

                O foco, a atenção, o interesse, a curiosidade, a inveja e o ciúme, entre outras, são atitudes mento-emocionais que concentram, desencadeiam e atraem a emissão do fluido vital. Quando o indivíduo tem o dom da emissão em níveis maiores, sendo, portanto, um magnetizador, ele pode realmente impactar negativamente outros seres vivos suscetíveis, o que inclui animais e vegetais, pois ambos os grupos aproveitam grande estrutura de fluido vital. Ocorreria, dessa forma, uma transfusão fluídica, independentemente da qualidade dos fluidos em questão.

                A elevação de pensamentos, sentimentos, objetivos, intenções e ações representa o “Olhai, vigiai e orai” de Jesus, e, neste caso, a imunização para que a sintonia com os magnetizadores desequilibrados não ocorra. Como temos dificuldades em manter tais valores elevados, necessitamos desenvolver uma disciplina para manutenção desses estados em prol de nossa saúde físico-espiritual. Desta forma, evitaremos ser impactados por magnetizadores desequilibrados assim como evitaremos ser os próprios magnetizadores desequilibrados para outrem, se a nossa exteriorização fluídica for também substancial.


                Vale comentar sobre um aspecto muito sério em relação a essa questão, que diz respeito ao medo. Como o assunto está envolto em grande nível de superstição, conceitos errados e corretos se misturam, fazendo com que muitos indivíduos tenham um medo acentuado do mau olhado, enquanto outros considerem o fenômeno impossível de ocorrer e, por consequência, apresentam total destemor em relação à possibilidade de serem atingidos. O medo excessivo contra o mau olhado não deixa de constituir brecha espiritual para que o impacto negativo ocorra, uma vez que o medo é atitude auto-obsessiva profundamente perturbadora. Por outro lado, a excessiva confiança de que o “mau olhado nunca acontecerá comigo” é algo que diminui a auto-vigilância. O ideal seria conhecer a possibilidade de ocorrência e, de forma pró-ativa, tomar as medidas preventivas para que não sejamos atingidos pelo mau olhado. De fato, o impacto do “mau olhado” pode ser fator gerador de outros processos perniciosos, tais como a depressão e a instalação de processos obsessivos. Assim, dependendo de outros fatores espirituais, um prejuízo relativamente pequeno poderia desencadear outras problemáticas de forma crescente, implicando em graves processos espirituais.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Evolução Individual e Evolução Coletiva: Analisando as chamadas “fases de viradas espirituais”

                O Espírito é imortal e jamais regride espiritualmente, podendo apenas estacionar evolutivamente por um período mais ou menos longo, a depender do apego à matéria, do comodismo evolutivo, da ausência de auto-conhecimento, entre outras limitações do educando em questão.

                Podemos inferir, portanto, que, com significativas exceções, que são os Espíritos que permanecem basicamente estacionados, ao avaliarmos a evolução espiritual de indivíduos dentro de um espaço de tempo relativamente grande, a tendência é que um razoável número de Espíritos tenham avançado de forma significativa. O quão representativo seria esse avanço é muito variável, pois depende do esforço individual, isto é, da aplicação de todas as potencialidades inerentes ao Espírito nesse objetivo previamente estabelecido por meio do uso do livre-arbítrio.

                A discussão proposta acima diz respeito, obviamente, ao mecanismo de cada evolução individual, que já consiste em processo altamente complexo, considerando os diferentes focos de evolução que a personalidade é desafiada a atingir em cada encarnação. Por outro lado, quando analisamos a evolução de uma coletividade, a questão torna-se ainda mais complexa, pois “a cada um é dado conforme suas obras” e ninguém consegue impor ao outro os seus próprios valores e diretrizes de comportamento, pois o livre-arbítrio é base da Lei de Deus. Considerando coletividades volumosas, como a população da Terra com um todo, a questão assume complexidades elevadas, em termos de previsão de processo evolução, o qual depende da decisão individual de cada Espírito.

                De qualquer maneira, pelo andamento dos grupos sociais, é possível a elaboração de uma avaliação da tendência de evolução moral geral das coletividades através de estudos sobre suas leis, usos, costumes e valores assim como o ritmo de evolução dos mesmos.

                Desta forma, somos cobrados pela própria consciência pela nossa evolução individual propriamente dita bem como pela nossa contribuição para com a evolução dos grupos dos quais fazemos parte.

                Assim sendo, como Espíritas sabemos que o mundo vai melhorar a partir da nossa melhoria individual e do nosso esforço ativo para contribuir direta e indiretamente para o surgimento de oportunidades evolutivas para nossos irmãos, através do que chamamos “amor dinâmico”, isto é, “amor em ação”, conforme definição de nosso confrade José Raul Teixeira.

                Apesar de ser válida a avaliação do andamento das coletividades rumo ao crescimento espiritual, até porque nossa programação reencarnatória inclui trabalhos em parceria com nossos irmãos, observamos, frequentemente, questões, até certo ponto, “excêntricas” que retornam à preocupação dos Espíritas, tais como “datas de mudança” ou “fases de viradas espirituais”.


                Uma certa preocupação com o andamento da evolução de uma coletividade é compreensível e até recomendável, mas exagerar essa preocupação na expectativa por um “ano específico de virada espiritual”, além de contraproducente, pois a evolução parte da nossa transformação individual e das decisões da Providência divina, não é algo com grande respaldo doutrinário, porque tais previsões estão sujeitas a modificações, em função das ações de cada um de nós. Além disso, quando exagerada, esse foco denota imaturidade espiritual, porque de uma forma ou de outra, sempre recebemos aquilo que plantamos, pela Lei de Causa e Efeito, e, além disso, Deus é amor e misericórdia, nos proporcionando o melhor dentro de nossas possibilidades de evolução. Assim sendo, se estamos realmente preocupados com a evolução espiritual da coletividade, maior cota de esforço individual devemos dedicar tanto no que se refere à nossa própria elevação, como em relação à elevação dos grupos que estamos associados. E Deus que é “soberanamente justo e bom” saberá nos proporcionar oportunidades evolutivas ótimas, de acordo com o nosso esforço e aproveitamento no campo do bem.

Leonardo Marmo Moreira

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Liberdade de votar, de ser votado e de não ser votado: “Dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus”

                Uma das questões que frequentemente surgem dentro do Movimento Espírita (como também dentro dos movimentos religiosos em geral) diz respeito à atuação político-social que o Espírita militante deve apresentar. Divaldo Pereira Franco comenta sobre isso: “O Espírita militante tem o direito de votar e de ser votado, assim como tem o direito de não querer participar de cargos políticos de uma forma direta, eletiva ou não”.

A linha diretriz básica da Doutrina Espírita, que remete ao próprio Evangelho de Jesus, é que educando o homem de uma forma integral, estaremos melhorando a sociedade nas suas bases e, lenta e gradualmente, isso melhorará todas as instituições representativas dessa mesma sociedade. Por essa razão, o Movimento Espirita não costuma levantar bandeiras políticas, lutando por instituições passageiras e da sociedade civil, em concordância com o procedimento do próprio Mestre Jesus. Educando o indivíduo, ele terá mais discernimento e mais valores morais para escolher e atuar em todos os níveis da sociedade.

Por outro lado, individualmente, cada ser pode e deve ser ativo socialmente, o que não significa necessariamente querer ter cargos políticos, pois existem, obviamente, várias formas de se contribuir para a melhoria da sociedade além da atuação política propriamente dita. De qualquer maneira, o Espírita militante pode, se assim o desejar, escolher “ter cargos políticos”, tal como ocorreu com o Doutor Bezerra de Menezes e com Freitas Nobre. Tal escolha é de foro íntimo e totalmente livre do ponto de vista doutrinário, em que pese que o Espírita consciente deverá buscar uma elevada atuação ético-moral em todas as suas atitudes nas vidas física e espiritual. Portanto, as escolhas devem ser bastante refletidas, pois necessitamos contribuir para a evolução da sociedade do ponto de vista espiritual em todas as nossas atuações.

Em que segmento da sociedade darei uma contribuição mais efetiva à melhoria da vida das pessoas, aumentando minha cota de paz íntima, limpeza de consciência e valores espirituais? Essa questão deve estar no foco de toda reflexão de Espíritas militantes, quando tomem decisões de assumir qualquer compromisso para com a sociedade, seja de teor político-administrativo ou não.

Assim, dentro da proposta de “Dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus” é necessário um elevado auto-conhecimento para sabermos que tipo de compromisso desejamos para nós mesmos. Isso é fundamental para que desenvolvamos razoavelmente bem essas duas tarefas fundamentais (“Dar a César” e “Dar a Deus”), sem cairmos, voluntariamente, em situações espirituais complexas, nas quais sentiremos dificuldade para administrá-las com elevado nível de espiritualidade.


Além disso, temos que ter em mente que todos nós trazemos para a Crosta terrestre compromissos espirituais específicos e pessoais. Comumente, entretanto, ao chegarmos à encarnação, tentamos fugir de nossos compromissos, assumindo outras propostas que não são as mais interessantes para a nossa evolução espiritual. É claro que isso nos é permitido, pois o livre-arbítrio é base da Lei de Deus e, ademais, uma mudança de rumo não necessariamente significa um desastre do ponto de vista espiritual, em que pese que nem sempre poderia ser o mais aconselhável. Nesse contexto, faz-se pertinente uma avaliação das potencialidades pessoais, intenções, objetivos e implicações pessoais, familiares e sociais para saber se nos convém tal escolha, pois, como diz o Apóstolo Paulo: “Tudo me é lícito, nem tudo me convém”. De fato, toda escolha de um gênero de tarefas, sobretudo daquelas mais absorventes e desgastantes, implica em ter menos tempo e disponibilidade para outros gêneros de atividade. Cabe tentar escolher com sabedoria as que seriam mais interessantes para nós.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sobre a chamada “Ressurreição de Jesus“

A questão da chamada “ressurreição de Jesus” sugere algumas observações para a nossa reflexão em comum.
1)      Para começar, Jesus-Espírito jamais morreu, já que, como todos os Espíritos criados por Deus é, foi, e sempre será imortal.
2)      Na cruz, seu corpo de carne faleceu, o que gerou, consequentemente, a desencarnação de Jesus-Espírito, ou seja, a separação definitiva entre o Espirito do Mestre e a instrumentação fisiológica que ele utilizou no século I.
3)      Ressurreição significa ressurgimento, e foi exatamente isso que aconteceu: Jesus ressurgiu após a morte de seu corpo físico. Esse ressurgimento, que comprova a imortalidade da alma (não somente a de Jesus, mas de todos nós), ocorreu através de seu perispírito, o qual dependendo da passagem podia estar em diferentes níveis de materialização ou até não materializado, o que seria, neste último caso, uma vidência.
4)      As aparições de Jesus caracterizam-se por serem significativamente diferentes umas das outras. Com Madalena, ele pede que ela não o toque, pois provavelmente não estava totalmente materializado (poderia ser uma vidência (visão psíquica) ou uma materialização incompleta). Por outro lado, com Tome, ele faz questão que ele tocasse em suas chagas para que o referido Apostolo dirimisse suas dúvidas; isso ocorre porque, neste caso, o Mestre estava totalmente materializado. Portanto, as aparições de Jesus claramente envolvem processos distintos de identificação.
5)      Se o corpo de Jesus desapareceu, temos várias hipóteses que podem explicar tal fenômeno. De qualquer forma, esse fenômeno não tem relação com as aparições do Mestre, que foram totalmente baseadas nas propriedades do períspirito. Tentou-se forcar tal relação para viabilizar o dogma da ressurreição da carne, o que e claramente uma proposta irracional.
6)      Jesus dissera “Deus faz cair a chuva sobre bons e maus e nascer o sol sobre justos e injustos“, denotando que a Lei e a mesma para todos e que os processos envolvidos na encarnação são os mesmos para todos.
7)      A mensagem fundamental da ressurreição e basicamente a imortalidade da alma, ou seja, a vida definitiva do Espirito. Tal mensagem e fundamental pois proporciona uma perspectiva totalmente diferente do significado da vida.
8)      “A vida continua“ e continuará sempre, ininterruptamente, sendo que o bem que plantarmos, colheremos, e os erros que cometermos serão pesos limitando a nossa liberdade e a realização de venturosas missões.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Palestras, Grupos de Estudo e Entrevistas

                No passado, os centros espíritas apresentavam uma predominância de trabalhos de palestras no setor de estudo doutrinário das casas. Nas últimas décadas, houve um crescimento do trabalho de grupos de estudo, incluindo aí os trabalhos de mocidades espíritas, que, com as suas naturais peculiaridades, assemelham-se aos trabalhos de grupos de estudo para adultos.

               Atualmente, os centros espíritas têm apresentado uma espécie de parceria para o aprofundamento doutrinário entre o trabalho dos expositores através de palestras e os estudos de grupos, seguindo livros pré-determinados ou não. De fato, os grupos podem escolher temas específicos ou autores específicos. Portanto, pode haver grupos que estudam mediunidade; grupos que estudam exclusivamente obsessão; outros que estudam reencarnação;  entre outros assuntos. Por outro lado, há grupos que se dedicam a estudar as obras de um autor específico, tais como Allan Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne, Herculano Pires etc.

               Naturalmente, há indivíduos que preferem assistir palestras, e não têm predileção pela participação em um grupo de estudo. Há, igualmente, um bom número de espíritas que gostam dos grupos de estudo, mas não têm grande afinidade pelas exposições orais mais longas.

  As duas metodologias seguem propostas diferentes. Na palestra, o orador tem um espaço maior para discorrer individualmente e sem interrupções, o que dá margem para a elaboração de um apanhado maior sobre um determinado tema. Idealmente, o palestrante deveria ter uma razoável bagagem para contribuir com as reflexões dos frequentadores, fornecendo-lhes material para leituras e estudos posteriores, pessoais ou coletivos. Uma vantagem interessante da palestra é o fato de poder atingir um número maior de pessoas do que o grupo de estudos. Além disso, muitas vezes o expositor precisa de um tempo maior para fornecer um conjunto de informações significativos sobre determinado assunto.
  
O grupo de estudo normalmente apresenta uma espaço maior, mais “democrático”, para o debate de ideias, dependendo, obviamente, das características e da filosofia de trabalho de cada grupo. De qualquer maneira, normalmente a interação entre os participantes é maior, o que dá margem para que uma ampla troca de ideias ocorra, em uma espécie de conversa educativa. Neste caso, é importante que o grupo não se perca em discussões improfícuas e, nesse contexto, uma alternativa interessante é a presença de um livro ou apostila de excelente qualidade doutrinária que seja o guia teórico-conceitual das discussões, para que o conteúdo, que consiste do material de estudo, forneça, realmente, substanciais informações para os estudantes. Apesar de normalmente atingir um grupo menor do que o grupo que assiste a palestras, permite um aprofundamento e um processo de eliminação de dúvidas que é menos acessível às palestras. Além disso, muitos espíritas que têm dificuldades para ler determinada obra sozinhos (e em casa) podem conseguir ler e estudar toda a obra de interesse através do grupo de estudo, o que permite, inclusive um ganho significativo de tempo, pois podem ler outra obra mais acessível a esse respectivo leitor individualmente. Entretanto, grupos de estudo excessivamente herméticos e isolados em si mesmos podem ficar muito formatados a uma única linha de raciocínio, usualmente a do coordenador do grupo (em alguns casos, o “formador de opinião” ou “os formadores de opinião” podem não ser coordenadores formais do grupo). Isso não necessariamente é ruim, porém é recomendável que o conteúdo que é estudado em um grupo de estudo seja testado, em termos de qualidade doutrinária, por outras fontes de informação espírita, a fim de melhorarmos o nível doutrinário geral de nosso movimento, e evitarmos eventuais distorções de determinados núcleos, o que acontece com certa frequência.

Há ainda uma espécie de meio-termo entre as duas metodologias supracitadas, que seria a entrevista, também chamada “fórum de debates” ou “Pinga-Fogo”, em homenagem à Chico Xavier e sua extraordinária participação no famoso programa denominado “Pinga-Fogo” da antiga TV Tupi, em 1971. Na entrevista, uma séria de perguntas pertinentes, em uma sequência lógica ou elaboradas de forma aleatória, poderia ser proposta para “sabatinar” um confrade que tenha bagagem para comentar sobre um determinado assunto de relevância doutrinária. Neste caso, a qualidade das perguntas e das respostas pode ser muito útil para dirimir dúvidas que, eventualmente, não sejam abordadas nas palestras, nas quais o espaço para esse tipo de debate, normalmente, é bem limitado.


Apesar das eventuais e naturais preferências pessoais em termos de reunião doutrinária, temos que admitir que a parceria entre palestras e grupos de estudos e, se for o caso, também entrevistas (“Pinga-Fogos”), é bastante rica, complementar e sinérgica para o enriquecimento de nossas atividades doutrinárias nas casas espíritas e também nos eventos espíritas como encontros e congressos. São formas metodológicas de divulgação espírita acessíveis a todas as casas espíritas e cuja parceria, preferencialmente através de diferentes doutrinadores, podem enriquecer a todos os envolvidos, inclusive os próprios expositores e coordenadores de grupo.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 9 de abril de 2014

150 Anos de “O Evangelho Segundo O Espiritismo”

No ano em que completamos 150 anos da publicação de “O Evangelho Segundo O Espiritismo” (E.S.E) somos induzidos a fazer algumas reflexões a respeito da implantação do Reino dos Céus na Terra:

1)    Considerando que temos aproximadamente 2000 anos de Evangelho na Terra, temos que admitir que 150 anos de E.S.E. é muito pouco tempo para que uma drástica transformação ocorra na sociedade terrena, a partir do estudo do Evangelho à luz do Conhecimento Espírita. De fato, mesmo para os Espíritas militantes que se tornaram “adeptos da primeira hora”, 150 anos ainda é um tempo demasiadamente pequeno para uma transformação íntima gigantesca, apesar de ser viável uma transformação minimamente significativa;
2)      Desta forma, lembrando o benfeitor Emmanuel “a maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação”, para que o Espiritismo chegue ao maior número de pessoas possível, através de uma divulgação digna àqueles que se mostrem interessados em aprender sobre a Doutrina;
3)      Apesar do Evangelho à luz do Espiritismo ser jovem, do ponto de vista histórico, já identificamos grandes gestos de bondade e muitas vidas transformadas pela sua inspiração. O avanço do Movimento Espírita no mundo desde os tempos kardequianos é uma conquista inegável;
4)      O número e a intensidade de ataques a que o Espiritismo foi submetido, seja do meio religioso, seja do meio científico, seja a partir do ambiente de interesse filosófico demonstra inequivocamente “a força das ideias” difundidas pelo Espiritismo e o seu potencial de crescimento para o presente e para o futuro;
5)      O preconceito a que o Espiritismo esteve sujeito nesses 150 anos demonstra inequivocamente o respeito e a gratidão que devemos nutrir pelos confrades que nos antecederam neste trabalho admirável de divulgação doutrinária;
6)      A relevância da Divulgação do Espiritismo, com especial destaque para “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, é de tão alta hierarquia espiritual, que devemos nos dedicar mais e melhor a esse ideal, apesar dos problemas naturais que todo movimento humano inevitavelmente tem de enfrentar;
7)      Jesus, permanece atual, e suas mensagens, cada vez mais, demonstram a profundidade do pensamento do Mestre, pois, considerando a Evolução ininterrupta do Espírito imortal, nunca estivemos tão preparados para entender, assimilar e praticar as chamadas “Palavras de Vida Eterna”;
8)      Jesus, como governador da Terra, conta com a nossa colaboração, mínima que seja, para a implantação do “Reino dos Céus na terra” e para isso, cabe-nos a escolha, através do uso do nosso livre-arbítiro e cabe-nos a dedicação para que essa escolha superior consiga permanecer constante durante o passar dos anos;
9)      A rapidez com que a vida física passa é um eterno alerta para os nossos corações, de maneira que não devemos perder tempo com questões menos relevantes e tentar aproveitar nossas horas em atividades úteis para o Bem;
10)   Jesus proporciona a todos nós esclarecimento e consolação, porque Deus é amor, e o Mestre Nazareno, como extraordinário professor, traz para nós, de uma forma perfeitamente assimilável, a essência das Leis Divinas do Amor;
11)   Kardec, o Mestre lionês, decodifica a essência do Evangelho de Jesus, para que mais próximos de Jesus, estejamos também mais próximos de Deus, nossos Pai;
12)   Como Espíritas militantes, não podemos olvidar da beleza e profundidade do conteúdo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, estudando sempre essa obra colossal, a fim de não perdermos as diretrizes de segurança para a nossa Evolução e para as tarefas de nossa reencarnação, através da orientação segura de Jesus através de Allan Kardec.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Reencarnação não é castigo!

                O Espírito não reencarna para ser punido, mas para evoluir. Portanto, a reencarnação não é castigo de Deus. Pelo contrário, consiste em um conjunto de novas oportunidades para o Espírito recomeçar com maior cota de experiências vivenciais, mais avanços intelectuais acumulados e maior nível de discernimento moral amealhado.

Desta forma, cada um de nós que esteja aproveitando de maneira minimamente digna sua presente encarnação, tenderá a ter oportunidades de crescimento espiritual acentuadas tanto no mundo espiritual, após nossa desencarnação, como na vida física futura. De fato, a própria “Parábola dos Talentos” já nos sugere isso.

Assim sendo, se eu aceito com resignação as colheitas do passado, que podem ser positivas ou negativas, dependendo do que eu haja plantado, procurando extrair das experiências maturidade, inteligência emocional e maiores níveis de equilíbrio espiritual, eu estou crescendo espiritualmente e encontrando equilíbrio em áreas nas quais eu tenho responsabilidade e necessidade espirituais. Concomitantemente, se eu tento ser útil a mim mesmo, às minhas famílias material e espiritual e à sociedade, eu acentuo, ainda mais as conquistas espirituais internas e, de quebra, ainda adquiro créditos espirituais e correntes de simpatia por parte dos Espíritos amigos em função da minha atuação no campo do bem como membro ativo da Obra da Criação.

A nossa Evolução Espiritual trata-se de processo contínuo, através de diferentes exercícios e trabalhos, seja aqui enquanto encarnados, seja no mundo espiritual na condição de Espíritos desencarnados. Como “a cada um é dado conforme suas obras” estamos, sempre, ininterruptamente, plantando e colhendo.  À medida em que formos melhorando a qualidade daquilo que plantamos; lenta, natural e gradualmente, passaremos a colher cada vez mais oportunidades positivas, proporcionais à quantidade e à intensidade de nossas ações no bem.

Se enfrentamos uma situação difícil, mais do que uma “punição”, tal desafio constitui uma luta para exercitar nossa bagagem espiritual, ou seja, trata-se de uma terapia em função de uma necessidade espiritual íntima que, se bem concluída, constituirá em conquista espiritual inalienável para nós mesmos, isto é, para nosso próprio Espírito imortal.

Portanto, não somos propriamente “Espíritos culpados” ou “Espíritos pecadores”, somos, em verdade, Espíritos imortais, criados por Deus, responsáveis pelo que fazemos e em processo de amadurecimento espiritual. Para tal objetivo, vivenciamos experiências que são necessárias à nossa educação espiritual, a fim de lograrmos cada vez mais nossa identificação com níveis mais elevados de Espiritualidade.


Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” está registrado com muita propriedade: “Toda expiação pode ser considerada uma prova, mas nem toda prova é uma expiação”, o que equivale a dizer que se eu considerar todas as vivências humanas provas evolutivas, não estarei equivocado à luz da Doutrina Espírita, mas se considerar tudo “pagamento” por débitos do passado estarei deturpando completamente o sentido da reencarnação. Isso ocorre porque mesmo nos processos em que temos responsabilidades diretas do passado, a experiência que implica em maior nível de esforço por parte do reencarnado, é sempre, antes de qualquer outra coisa, um trabalho eminentemente educacional para fins evolutivos e promocionais do Espírito imortal. Tais experiências são propiciadas pela Misericórdia Divina, através de seus Prepostos, que sempre nos renovam as oportunidades de crescimento espiritual.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Espiritismo é Cristão?

A Doutrina Espírita é eminentemente cristã. Segundo “O Livro dos Espíritos”, Jesus de Nazaré “é o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir de modelo e guia”. De fato, Jesus de Nazaré, à luz da Doutrina Espírita, é o Espírito mais elevado que já reencarnou na Terra. Portanto, sua moral é a mais evoluída, seus ensinamentos são os mais abrangentes e sua conduta é a mais espiritualizada que o homem terrestre pode almejar, tendo em vista os exemplos fornecidos por todos que já habitaram o nosso planeta.

Portanto, essa base fundamental, que está estabelecida na terceira parte de “O Livro dos Espíritos” (Das Leis Morais), constitui o alicerce conceitual no qual se erguerá a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Isso ocorre pois devemos estudar com profundidade o Evangelho de Jesus à luz do avanço intelecto-moral dos tempos atuais, incluindo as informações veiculadas pelo Espiritismo.

Entretanto, o conhecimento humano a respeito da verdadeira espiritualidade/religiosidade pode e deve evoluir além dos ensinamentos expostos por Jesus. Em primeiro lugar, ficar restrito a textos que foram submetidos a prováveis adulterações e erros de tradução é limitar o avanço real em busca da “Verdade que liberta”. Jesus era e é o Mestre por excelência, grande professor e governador da Terra que nos ensinou e ensina, constantemente, a caminhar para o Pai, a fim de atingir o Reino dos Céus. Obviamente, como grande professor, ele sabia que “luz demais ofusca, ao invés de iluminar” as consciências, implicando que não disse tudo, isto é, não ensinou tudo, como ele mesmo afirmou isso no Evangelho. O próprio Mestre explicou que o recurso didático das parábolas era utilizado em função da dificuldade da maioria das criaturas entenderem seus enunciados. Considerando a “Lei do Progresso” (vide “O Livro dos Espíritos”), através do mecanismo da reencarnação, Jesus sabia que muitos ensinamentos só seriam lenta e gradualmente assimilados pelos Espíritos em evolução. “Muito mais eu tenho para vos dizer, mas no momento não podeis suportar” disse-nos Jesus, permitindo inferir que, se “no momento” não podíamos suportar, poderíamos suportar no futuro. Portanto, as revelações são sucessivas e de acordo com a evolução intelecto-moral da humanidade através das experiências alternadas, ora no mundo espiritual, ora no mundo físico.

Portanto, o Espiritismo é eminentemente cristão, mas isso não quer dizer que restringe os estudos referentes à busca de espiritualidade/religiosidade à leitura do Evangelho ou da Bíblia somente. Além disso, para o Espiritismo, Jesus não é Deus, e a chamada “Santíssima Trindade” constitui crença completamente equivocada. Como se não bastasse, para o Espiritismo, as tradições cristãs têm muitas deturpações em relação à essência do pensamento do Mestre. Portanto, o que é tradicional não necessariamente é verdadeiro e não necessariamente merece consideração doutrinária de nossa parte. Dessa forma, muitos religiosos das doutrinas tradicionais não consideram o Espiritismo uma religião completamente cristã. Questionam o caráter cristão do Espiritismo baseados em seus próprios dogmas, que nada têm a ver com os ensinos propriamente de Jesus. Entretanto, o Espiritismo não perde nada com essa opinião, até porque não busca o reconhecimento enquanto movimento cristão por parte de outras correntes. Não se trata de tarefa nossa a modificação da mentalidade de outros movimentos.

Portanto, sigamos a Jesus e Kardec, estudando, sem preconceitos todos os conteúdos significativos visando ao nosso crescimento espiritual. O reconhecimento enquanto cristãos em nada acrescentaria à nossa evolução como movimento, e muito menos individualmente. Tal dificuldade somente demonstra o quão difícil é vencer preconceitos assim como o nível de afastamento da verdadeira essência do Evangelho de Jesus em que se encontram muitos dos chamados “membros do Cristianismo tradicional”.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 19 de março de 2014

“Por trás do Véu de Ísis” de Marcel Souto Maior

            A obra “Por trás do Véu de Ísis” constitui interessante pesquisa sobre imortalidade da alma e mediunidade, sobretudo psicográfica. Trata-se da segunda obra a respeito de assuntos espirituais/religiosos do referido autor e que constituiu subsídio para a elaboração do roteiro do filme “As mães de Chico Xavier”. A primeira obra de Marcel foi o “best-seller” “As Vidas de Chico Xavier”, livro de caráter biográfico a respeito do médium de Pedro Leopoldo, que serviu de base para o chamado “roteiro adaptado” do filme “Chico Xavier”. Posteriormente, Marcel publicaria mais duas excelentes obras dentro do mesmo assunto geral: “Lições de Chico Xavier” e, a mais recente delas, “Kardec, A biografia”.

            O autor, renomado jornalista das Organizações Globo e que não se proclama adepto de religião alguma, faz uma pesquisa isenta, com os olhos de um cético inteligente e interessado. Marcel Souto Maior escreve muito bem, ou seja, é objetivo, claro, utilizando linguagem escorreita. Conhece a complexidade do tema e pressupõe, corretamente, os vários riscos de interpretações equivocadas a partir de uma análise imperfeita do fenômeno. Mesmo assim se predispõe à árdua tarefa. E elabora uma obra de fôlego que consiste em honesta e importante contribuição ao estudo do fenômeno mediúnico.

            A busca de provas irrefutáveis a respeito da autenticidade da imortalidade da alma e da mediunidade requer um conhecimento substancial concernente às dificuldades inerentes ao fenômeno mediúnico. Sem um conhecimento mais profundo a respeito desses obstáculos, somente fenômenos altamente ostensivos podem convencer um cético. E é atrás dessas evidências irrefutáveis e absolutas, e portanto raras (mas não raríssimas!), que Marcel viaja o Brasil atrás de médiuns que possam demonstrar a sobrevivência da vida espiritual à morte corporal para alguém que, assim como ele, tem a “dúvida” como premissa fundamental.

            A avaliação sincera dos médiuns visitados, sob os olhos de um pesquisador independente de qualquer denominação ou vínculo religioso, denota o quão complexo é o fenômeno mediúnico, sobretudo para os leigos no assunto. Indiretamente, o livro também reforça a necessidade de nós, espíritas militantes, apresentarmos elevado critério na análise e divulgação de obras que não apresentem a chancela da “universalidade do ensino dos espíritos” ou do “controle universal do ensino dos espíritos (CUEE).

             O livro merece ser lido por espíritas e não-espíritas, mesmo que ambos os grupos possam discordar de algumas conclusões e das respectivas implicações inferidas pelo autor. De fato, sem ler, estudar, discutir, comparar, avaliar e refletir, jamais conseguiremos estabelecer, sem nenhum tipo de fanatismo, a era da Fé Raciocinada na Terra, onde todos possa buscar o estudo, sob parâmetros científicos, a fim de realmente abordar a chamada Espiritualidade de uma forma geral e profunda.


            “O conhecimento da Verdade para que ela nos liberte” requer o estudo para que ele nos esclarece e forneça convicção onde exista apenas hipóteses. Cabe a nós, portanto, a leitura inicial, para, posteriormente, estudarmos cada vez mais e ininterruptamente essa e outras obras respeitáveis a respeito de questões espirituais e/ou espíritas.

Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 12 de março de 2014

A Primeira Nota de Rodapé de “Memórias de Um Suicida”

                A primeira nota de rodapé da obra “Memórias de Um Suicida” ilustra a riqueza doutrinária dessa obra extraordinária que nos foi proporcionada graças ao esforço hercúleo da médium Yvonne do Amaral Pereira. Trinta anos após a desencarnação de Dona Yvonne (ela retornou à pátria espiritual no início de março de 1984) cabe-nos agradecê-la em nossos corações e orações para que a querida irmã receba da Espiritualidade todo o carinho e consideração que fez por merecer após muitos anos de dedicação e sacrifício em prol da divulgação da Doutrina Espírita.

                A primeira versão da referida obra foi rejeitada pela Federação Espírita Brasileira (FEB), não tendo sido, portanto, publicada. De fato, nessa época, a FEB era praticamente a única editora espírita existente no Brasil e as dificuldades para se publicar um livro, sobretudo de origem mediúnica, eram elevadas para um médium com limitadíssimos recursos econômicos como era o caso de Dona Yvonne. Tratava-se de um texto bem mais resumido do que a obra conhecida atualmente. Era, nessa ocasião, livro de autor único, ou seja, obra de autoria do célebre escritor do Romantismo português Camilo Castelo Branco, o qual houvera, em um  primeiro momento, utilizado do pseudônimo Camilo Cândido Botelho. Com a rejeição da primeira submissão visando à publicação, Yvonne seguiu as recomendações do Espírito Doutor Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, guardando os originais para posteriores orientações. Realmente, ela passou a trabalhar com o admirável Espírito Léon Denis, que revisou os originais, expandindo, substancialmente, o texto, através de explicações, discussões, aprofundamentos e implicações doutrinárias de cada evento narrado por Camilo. Assim, a nova versão de “Memórias de Um Suicida”, a qual seria, finalmente, aceita para publicação pelo corpo editorial da FEB, trata-se de obra de autoria dupla.

A parceria entre os dois autores espirituais da obra, Camilo Castelo Branco e Léon Denis, apresenta grande sinergia e entrosamento, visando enriquecer-nos de informações sobre o mundo espiritual. O primeiro autor foi o responsável pelas narrativas, com grande ênfase naquelas vivenciadas pelo próprio escritor, ou seja, aquelas narradas na primeira pessoa do singular. O segundo autor espiritual, grande apóstolo do Espiritismo desde quando encarnado, desdobra o conteúdo doutrinário que pode ser inferido a partir das narrativas de Camilo Castelo Branco.

“Memórias de Um Suicida” consiste em obra inestimável para o aprofundamento das nossas bases kardequianas, sobretudo no que se refere ao conhecimento a respeito da vida no mundo espiritual, estando ao lado das obras de André Luiz como referência nesse quesito.

Vejamos a primeira nota de rodapé na referida obra para termos uma ideia do conteúdo que todo o texto apresenta:

“Após a morte, antes que o Espírito se oriente, gravitando para o verdadeiro “lar espiritual” que lhe cabe, será sempre necessário o estágio numa “antecâmara”, numa região cuja densidade e aflitivas configurações locais corresponderão aos estados vibratórios e mentais do recém-desencarnado. Aí se deterá até que seja naturalmente “desanimalizado”, isto é, que se desfaça dos fluidos e forças vitais de que são impregnados todos os corpos materiais. Por aí se verá que a estada será temporária nesse umbral do Além, conquanto geralmente penosa. Tais sejam o caráter, as ações praticadas, o gênero de vida, e o gênero de morte que teve a entidade desencarnada – tais serão o tempo e a penúria no local descrito. Existem aqueles que aí apenas se demoram algumas horas. Outros levarão meses, anos consecutivos, voltando à reencarnação sem atingirem à Espiritualidade. Em se tratando de suicidas o caso assume proporções especiais, por dolorosas e complexas. Estes aí se demorarão, geralmente, o tempo que ainda lhes restava para conclusão do compromisso da existência que prematuramente cortaram. Trazendo carregamentos avantajados de forças vitais animalizadas, além das bagagens das paixões criminosas e uma desorganização mental, nervosa e vibratória completas, é fácil entrever qual será a situação desses infelizes para quem um só bálsamo existe: a prece das almas caritativas!


Se, por muito longo, esse estágio exorbite das medidas normais ao caso – a reencarnação imediata será a terapêutica indicada, embora acerba e dolorosa, o que será preferível a muitos anos em tão desgraçada situação, assim se completando, então, o tempo que faltava ao término da existência cortada”.

Leonardo Marmo Moreira

sexta-feira, 7 de março de 2014

A cura da doença cardíaca de Divaldo Franco por Sai Baba

                Divaldo Pereira Franco conta em um documentário certa experiência que vivenciou com Sathya Sai Baba, famoso espiritualista indiano.

                A segunda metade da década de oitenta representou para Divaldo Franco uma época de grande dificuldade orgânica. De fato, o admirável médium e orador espírita baiano enfrentou persistente doença cardíaca que lhe proporcionava fortes dores. É importante frisar que Divaldo chegou a ser desenganado pelos médicos em vista da complexidade de sua afecção cardiovascular.

                Divaldo era muito amigo do conhecido escritor brasileiro Hermógenes, profundo conhecedor e praticante da chamada Yoga. Hermógenes havia comentado com Divaldo, por diversas vezes, a respeito das habilidades paranormais, inclusive de cura, apresentadas por Sai Baba. Entretanto, Divaldo, embora respeitando os comentários e as análises entusiásticas sobre Sai Baba, considerou que elas poderiam estar superestimadas por uma admiração excessiva.

                Nesse contexto, Divaldo teve, certo dia, uma intensa angina pectoris e tomou sua medicação cardíaca (o medicamento conhecido como isordil). Entretanto, como a dor estava especialmente aguda naquela ocasião, Divaldo lembrou-se dos comentários de Hermógenes sobre a capacidade de desdobramento e cura espiritual apresentados por Sai Baba a partir de evocações de indivíduos necessitados. Foi quando o tribuno baiano decidiu evocar Sai Baba, pedindo-lhe ajuda para sua enfermidade. Divaldo se concentrou e evocou mentalmente Sai Baba. Nesse momento, Divaldo teve uma visão psíquica de um jato de luz muito forte se aproximar dele. Essa concentração luminosa foi aproximando-se de Divaldo e tomando a forma humana. Um homem, trajado no estilo “black power”, chegou bem perto de Divaldo e impôs sua mão sobre o peito de Divaldo, liberando concentrados fluídico-energéticos que atingiram a área enferma do tórax de Divaldo, fazendo com que a dor se diluísse imediatamente.

                Divaldo, ao recobrar a lucidez, refletiu sobre o ocorrido e, racional e kardequianamente, elaborou hipóteses para tentar explicar o fenômeno. A primeira e principal delas admitia que a cessação da dor foi basicamente causada por um efeito retardado do próprio isordil. Todavia, no dia seguinte, aproximadamente no mesmo horário, a dor cardíaca retomou uma grande intensidade. Divaldo, então, resolveu não tomar o referido medicamento e evocar novamente Sai Baba. A experiência de intervenção espiritual se repetiu. No terceiro dia, novamente Divaldo não toma o medicamento e evoca Sai Baba e o mesmo espírito aparece e a dor some.

                Divaldo não tinha mais dúvidas. Era um fenômeno mediúnico, dito “entre vivos”, autêntico e a contribuição para a sua saúde era real.

                Passou um tempo e Divaldo, juntamente com seu amigo e confrade Nilson de Souza Pereira, foi convidado por Hermógenes a ir a Índia conhecer Sai Baba. Em princípio, Divaldo rejeitou o convite, em função dos gastos que a viagem requisitaria. Entretanto, a instituição Capemi resolve patrocinar a viagem de Divaldo e Nilson, o que de fato ocorreu no ano de 1991.

                Chegando lá e ao encontrar Sai Baba, o mestre indiano diz, ao fitar Divaldo: “Nós já nos conhecemos!”, o que chocou Divaldo, confirmando a autoria das assistências espirituais recebidas.

                Poucos dias depois, Divaldo estava na presença de Sai Baba e o mestre indiano teria perguntado: “O que desejas que eu faça por ti?”

                Divaldo respondeu: “Nada. Estou muito bem, não preciso de nada, obrigado.

                O Mestre insiste: “O que desejas que eu faça por ti?”

                Divaldo redarguiu: “Eu não preciso de nada. Sou um homem muito feliz”.

                Neste momento, Sai Baba o surpreende mais uma vez e pergunta: “E o coração?! Como está?!”

                Antes que Divaldo se recuperasse do choque da nova confirmação, o mestre se aproxima e crava o dedo entre as vértebras do médium, atingindo o coração de Divaldo. A dor foi intensa, mas depois que Sai Baba retirou o dedo, a dor tinha passado e não retornaria mais até os presentes dias. Era a cura definitiva.

                Essa notável experiência de Divaldo Franco ilustra vários ensinamentos de natureza espiritual. O primeiro ensinamento é que todos nós precisamos uns dos outros, como irmãos que somos, independentemente de rótulos e até da distância física. De fato, não sabemos quem será o portador da intervenção da Providência Divina em nossas vidas, uma vez que Deus ajuda a seu filhos através da ação no bem de outros filhos. O segundo ensinamento é que a paranormalidade, incluindo faculdades mediúnicas e anímicas, não é propriedade do Espiritismo e, sim, uma faculdade inerente ao ser humano, podendo ser encontrada em todas as raças, povos, classes sociais, profissões, idades, sexos, religiões etc. O terceiro ensinamento é que vários fenômenos paranormais podem ocorrer concomitantemente, o que implica na necessidade de aprofundamento doutrinário para que a nossa interpretação de cada ocorrência seja a mais precisa possível.

Realmente, precisamos estudar, cada vez mais e melhor, os fenômenos ditos paranormais, pois quanto mais estudarmos, tanto os que eventualmente acontecem conosco mesmos, como os que ocorrem com nossos irmãos, mais subsídios teremos para construir a nossa fé raciocinada, que é o alicerce para a nossa definitiva transformação moral e, consequentemente, para a nossa ascensão espiritual.


Leonardo Marmo Moreira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os Objetivos da Prece

                A prece à luz da doutrina espírita apresenta 3 objetivos básicos: pedir; agradecer e louvar.

                Desta forma, nossas preces devem girar em torno dessas 3 abordagens. De fato, há preces em que só pedimos, outas em que só agradecemos e outras ainda em que só louvamos a Deus e/ou à natureza e/ou à vida etc. Por outro lado, há preces em que associamos dois destes três objetivos e outras que contemplam os três tópicos.

                Em relação ao beneficiário da prece, na maioria da vezes, oramos por cada um de nós mesmos. Equivale a dizer que o EU ainda dita esmagadora maioria de nossas rogativas. Em bom número de vezes, oramos por familiares próximos ou pessoas queridas recém-desencarnadas, na maioria das vezes em pedidos que também contemplam a nós mesmos.

                Portanto, poderíamos lembrar Raul Teixeira: “Invariavelmente pedimos; de vez em quando agradecemos; e muito raramente louvamos” e, de nossa parte, poderíamos acrescentar: invariavelmente pedimos por nós mesmos; de vez em quando pedimos por outros ou agradecemos; muito raramente louvamos; e mais raramente ainda oramos por nossos inimigos, conforme o Evangelho nos recomenda.

                Além dessa análise inicial, é importante registrar que a clareza e a objetividade, que seriam importantes na elaboração de nossas preces, nem sempre são atingidas porque nós não buscamos uma concentração real antes de iniciá-las.


                O estudo aprofundado dos 2 capítulos finais de “O Evangelho segundo o Espiritismo” poderia ser uma ferramenta útil para que nós possamos reflexionar sobre nossas preces, ainda eivadas de nosso egoísmo e conseguíssemos melhorar a concatenação de nossas ideias, até para que as preces fiquem mais claras para nós mesmos e, cada vez mais, descubramos o prazer de elaborar um prece sincera.

Leonardo Marmo Moreira